Viúva de Anderson para júri: “Não tinha mais com quem dividir a vida”

Durante o julgamento realizado no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (30/10), dos assassinos confessos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a viúva de Anderson, Agatha Arnaus, contou a dificuldade que foi e tem sido criar um filho autista sem a presença do pai.

“No mesmo ano em que o Anderson morreu, eu tive de levar o Arthur sozinha para operar uma obstrução intestinal. Os médicos chegaram a falar que ele não aguentaria e que eu tinha de ficar preparada. Naquele momento, já sem o Anderson, achei que a minha família, a que eu criei, tinha acabado. Eu achei que ia enlouquecer naquele dia. Eu repeti várias vezes que o Arthur era a última coisa que tinha me restado do Anderson”, contou Agatha.

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brazão Marielle Franco: vereadora foi assassinada em 2018

Reprodução

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Réus Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, assassinos confessos de Marielle Franco

Reprodução/PJERJ

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Em julgamento, ex-assessora de Marielle diz que “queria acreditar que ela estava viva”

Reprodução

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Viúva de Marielle Franco, Mônica Benício depõe em Tribunal do Júri, no RJ

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Marinete Silva, mãe de Marielle, no julgamento dos assassinos

Reprodução

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Família de Marielle fala em frente ao Tribunal

Reprodução/CNN

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Viúva de Anderson: “Não tinha mais com quem dividir a vida”

Reprodução/PJERJ

A viúva destaca que, “quando o Anderson faleceu, a gente sabia que ele tinha autismo, mas as demais alterações por decorrência genética não puderam ser averiguadas corretamente, porque não temos o material genético do Anderson para fechar o diagnóstico completo”.

Agatha ressalta que o desenvolvimento do filho foi prejudicado pelo assassinato do pai.

“Eu tenho certeza de que a ausência do Anderson impactou o desenvolvimento do Arthur. A primeira palavra que ele falou foi ‘papai’. Ele era uma criança que sempre esteve com os dois a todo tempo e, daqui a pouco, não ter o pai, e por não ter o pai, e a mãe estar saindo o tempo todo para resolver, para voltar a trabalhar. O que me deixou cansada, sem paciência, porque eu não tinha mais com quem dividir a vida e a criação do Arthur”, desabafou Agatha.

Na sequência, o Ministério Público exibiu o vídeo do Anderson, abrindo uma carta escrita pela viúva, anunciando a gravidez do único filho do casal. O vídeo mostra o motorista emocionado com o anúncio.

“O Anderson tinha tido, uns anos antes, uma doença que as pessaos falavam que ele não poderia ser pai e, quando a gente decidiu ter o Arthur, nós fizemos alguns exames antes e teve um momento que ele achou que não poderia ter filhos, mesmo. No dia desse vídeo, eu não lembro outro momento de ter visto o Anderson feliz assim”, contou a viúva.

Ela destacou que, “quando eu fiz a única ultrassonografia sem ele, cheguei em casa e disse: “É menino, mas tenho uma noitícia ruim, e ele vai ter de passar por uma cirurgia, e as coisas não foram tranqiuilas na gravidez. Eu lembro de ele falar que parecia um inferno e que não entendia por que a gente tava passando por tudo aquilo, mas que ia dar tudo certo”.

Agatha ressaltou que o assassinato de Anderson criou uma falta nela e no filho, que “não vai passar nunca, porque ele sempre vai ter uma primeira vez sem o Anderson”.

“Eu espero ver as pessoas que me tiraram o Anderson, que tiraram o pai do Arthur, pagando pelo que elas fizeram. Eu não substituo o Anderson de forma alguma para o Arthur. O Arthur nunca na vida vai ter um pai tão bom como ele poderia ter se o Anderson estivesse aqui”, concluiu a viúva.

O depoimento dela terminou às 12h35.

Mandantes

Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) concluiu que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão mandaram matar a vereadora Marielle Franco, em fevereiro de 2018, para impedir que ela seguisse prejudicando os interesses dos agora réus, desde nomeações para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) até a regularização de loteamentos irregulares em áreas dominadas por milícias na zona oeste do Rio de Janeiro.

A PGR denunciou Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho, deputado federal (sem partido), e mais três pessoas: dois policiais que atuavam para a dupla e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa.



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Durante o julgamento realizado no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (30/10), dos assassinos confessos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a viúva de Anderson, Agatha Arnaus, contou a dificuldade que foi e tem sido criar um filho autista sem a presença do pai.

“No mesmo ano em que o Anderson morreu, eu tive de levar o Arthur sozinha para operar uma obstrução intestinal. Os médicos chegaram a falar que ele não aguentaria e que eu tinha de ficar preparada. Naquele momento, já sem o Anderson, achei que a minha família, a que eu criei, tinha acabado. Eu achei que ia enlouquecer naquele dia. Eu repeti várias vezes que o Arthur era a última coisa que tinha me restado do Anderson”, contou Agatha.

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brazão Marielle Franco: vereadora foi assassinada em 2018

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Réus Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, assassinos confessos de Marielle Franco

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Em julgamento, ex-assessora de Marielle diz que “queria acreditar que ela estava viva”

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Viúva de Marielle Franco, Mônica Benício depõe em Tribunal do Júri, no RJ

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Marinete Silva, mãe de Marielle, no julgamento dos assassinos

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Família de Marielle fala em frente ao Tribunal

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Viúva de Anderson: “Não tinha mais com quem dividir a vida”

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A viúva destaca que, “quando o Anderson faleceu, a gente sabia que ele tinha autismo, mas as demais alterações por decorrência genética não puderam ser averiguadas corretamente, porque não temos o material genético do Anderson para fechar o diagnóstico completo”.

Agatha ressalta que o desenvolvimento do filho foi prejudicado pelo assassinato do pai.

“Eu tenho certeza de que a ausência do Anderson impactou o desenvolvimento do Arthur. A primeira palavra que ele falou foi ‘papai’. Ele era uma criança que sempre esteve com os dois a todo tempo e, daqui a pouco, não ter o pai, e por não ter o pai, e a mãe estar saindo o tempo todo para resolver, para voltar a trabalhar. O que me deixou cansada, sem paciência, porque eu não tinha mais com quem dividir a vida e a criação do Arthur”, desabafou Agatha.

Na sequência, o Ministério Público exibiu o vídeo do Anderson, abrindo uma carta escrita pela viúva, anunciando a gravidez do único filho do casal. O vídeo mostra o motorista emocionado com o anúncio.

“O Anderson tinha tido, uns anos antes, uma doença que as pessaos falavam que ele não poderia ser pai e, quando a gente decidiu ter o Arthur, nós fizemos alguns exames antes e teve um momento que ele achou que não poderia ter filhos, mesmo. No dia desse vídeo, eu não lembro outro momento de ter visto o Anderson feliz assim”, contou a viúva.

Ela destacou que, “quando eu fiz a única ultrassonografia sem ele, cheguei em casa e disse: “É menino, mas tenho uma noitícia ruim, e ele vai ter de passar por uma cirurgia, e as coisas não foram tranqiuilas na gravidez. Eu lembro de ele falar que parecia um inferno e que não entendia por que a gente tava passando por tudo aquilo, mas que ia dar tudo certo”.

Agatha ressaltou que o assassinato de Anderson criou uma falta nela e no filho, que “não vai passar nunca, porque ele sempre vai ter uma primeira vez sem o Anderson”.

“Eu espero ver as pessoas que me tiraram o Anderson, que tiraram o pai do Arthur, pagando pelo que elas fizeram. Eu não substituo o Anderson de forma alguma para o Arthur. O Arthur nunca na vida vai ter um pai tão bom como ele poderia ter se o Anderson estivesse aqui”, concluiu a viúva.

O depoimento dela terminou às 12h35.

Mandantes

Em maio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) concluiu que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão mandaram matar a vereadora Marielle Franco, em fevereiro de 2018, para impedir que ela seguisse prejudicando os interesses dos agora réus, desde nomeações para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) até a regularização de loteamentos irregulares em áreas dominadas por milícias na zona oeste do Rio de Janeiro.

A PGR denunciou Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho, deputado federal (sem partido), e mais três pessoas: dois policiais que atuavam para a dupla e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa.

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