De R$ 8 mil para R$ 11,6 mil: salário dos vereadores de Tijucas pode ter reajuste de 45% após ‘acordo’

A população de Tijucas acompanha, mais uma vez, um movimento dentro da administração pública. Enquanto trabalhadores essenciais do município, como agentes de limpeza, merendeiras e técnicos de enfermagem, aguardam uma reposição salarial de 5,20%, tramita na Câmara um projeto que esconde, nas entrelinhas, um reajuste de quase 45% nos salários dos próprios vereadores.

No papel, trata-se de uma “revisão geral anual”, proposta no Projeto de Lei encaminhado pelo gabinete da Procuradoria Municipal da Prefeitura de Tijucas, comandado pelo procurador Fernando de Figueiredo Rodrigues, com previsão de 5,20% para os servidores públicos. Porém, no Artigo 5º do Projeto de Lei 2548/2025, há uma cláusula que permite a aplicação acumulada de reposições retroativas desde 2014, atingindo diretamente o salário dos parlamentares.

Nos bastidores da Câmara, é fato que os vereadores estão insatisfeitos com seus salários. Entretanto, falta coragem para discutir isso de forma pública, aberta e transparente com a população que os elegeu. Se, de fato, o trabalho parlamentar fosse voltado integralmente ao interesse coletivo, o atual salário poderia até ser considerado baixo diante das responsabilidades. Contudo, o que se vê é um cenário de inércia, falta de protagonismo e, talvez, até uma possível prevaricação, quando se observa a dificuldade da Casa em enfrentar pautas realmente relevantes para Tijucas.

O encaminhamento do projeto partiu do Executivo, liderado pelo prefeito Maickon Campos Sgrott (PP). Na prática, a estratégia representa um movimento calculado, que pode ser interpretado como um ato de coragem política, diante do cenário atual da Câmara.

A leitura interna é que, ao propor esse modelo, o prefeito tenta construir uma maioria mínima no Legislativo — algo que, até agora, tem se mostrado inviável devido ao perfil de uma composição supostamente “oposicionista”.

Com uma base mais estável, projetos de maior relevância para o desenvolvimento da cidade poderiam ser finalmente votados, discutidos e aprovados, destravando pautas importantes que, segundo interlocutores da gestão, estão sendo travadas deliberadamente.

Insatisfação silenciosa
É fato que há, nos bastidores da Câmara, uma insatisfação generalizada dos vereadores com o atual salário, fixado em pouco mais de R$ 8 mil brutos mensais. No entanto, essa insatisfação nunca foi convertida em discussão pública por uma razão simples: o temor do desgaste diante da opinião pública. Na prática, o medo de enfrentar o julgamento popular supera qualquer desconforto financeiro. E é justamente esse cenário que fez com que a proposta partisse do Executivo, e não do próprio Legislativo — onde, regimentalmente, deveria ter sido discutida.

Prefeito se defende
O prefeito Maickon Sgrott, por sua vez, se defende. Ele afirma que o projeto é necessário para evitar possíveis sanções do Tribunal de Contas, já que os vereadores estão sem reposição desde 2014, enquanto os servidores têm seus salários corrigidos anualmente.

Ainda segundo ele, o aumento se justifica também pela evolução demográfica do município, que ultrapassou os 50 mil habitantes, o que, pela legislação, exigiria uma atualização dos vencimentos do Legislativo.

O prefeito também reforça que, embora o projeto tenha partido do Executivo, a demanda foi construída em conjunto com o Legislativo.



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