A tensão entre aliados da direita em Santa Catarina subiu de tom nesta sexta-feira (31), após o deputado estadual Sargento Lima (PL) usar as redes sociais para rebater declarações do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD).
O ataque veio após Rodrigues criticar a ausência do governador Jorginho Mello (PL) na cerimônia com o presidente Lula (PT) em Itajaí.
Na publicação feita pelo perfil do Jornal Razão no Instagram, Lima não poupou palavras:
“João Rodrigues calado é um poeta. Vá respeitar o CPF do diabo que o carregue. Quem cobra atitude de mentiroso, ou é burro, ou outro mentiroso.”
O comentário gerou forte repercussão e escancarou um racha entre nomes que integram o mesmo campo político. A crítica de Sargento Lima surgiu após João Rodrigues afirmar que, se estivesse no lugar de Jorginho, teria comparecido à agenda com Lula “não para aplaudir, mas para cobrar”.
Prefeito cobra Lula por abandono das rodovias
Durante evento no Sul do Estado, Rodrigues disse que o governador perdeu a chance de “cobrar Lula cara a cara” sobre os problemas enfrentados pelas rodovias federais em Santa Catarina. “Eu perguntaria se ele veio de helicóptero, porque se tivesse vindo pela BR-101, veria o caos que estamos enfrentando”, afirmou.
Rodrigues também citou a BR-470, a BR-282 e até problemas envolvendo a concessão de rodovias no Oeste, ironizando discursos do presidente. “Não fui eleito para puxar saco. Se fosse governador, iria lá em nome do Estado, para cobrar o que é justo”, declarou.
Racha na direita catarinense
Apesar de ambos integrarem o espectro político de oposição ao governo federal, o episódio expôs um embate interno entre aliados do bolsonarismo em Santa Catarina. João Rodrigues, com forte base no Oeste do estado, adota um tom mais institucional, enquanto Sargento Lima mantém uma linha mais combativa, fiel ao governador Jorginho Mello (PL). A fala do deputado foi considerada por aliados de Rodrigues como “desnecessária” e “desrespeitosa”.
Até o momento, João Rodrigues não respondeu diretamente ao ataque do deputado. Nos bastidores, integrantes do PSD avaliam que o embate poderá ter reflexos nas eleições municipais de 2024 e até em futuras alianças estaduais.

