Estudantes ligados a movimentos socialistas incendiaram exemplares do jornal ND+ em meio a um protesto realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, nesta sexta-feira (13). A manifestação ocorreu logo após o Conselho Universitário adiar a votação que decidiria sobre a retirada do nome do ex-reitor João David Ferreira Lima do campus da Trindade.
Com bandeiras da Palestina, cartazes e palavras de ordem, o grupo se concentrou na área externa do auditório da UFSC. O gesto mais extremo foi a queima do caderno especial publicado pelo ND+, que defendia a manutenção do nome do ex-reitor em homenagem ao seu papel histórico na criação da universidade.
Durante o ato, os manifestantes prometeram intensificar as ações. “Vamos ocupar os espaços e mostrar que a voz do estudante é a voz do poder”, declarou um dos representantes estudantis. O mesmo grupo já havia chamado novas mobilizações para a próxima sessão do Conselho Universitário, marcada para terça-feira (17), às 14h.
O protesto foi motivado pelo pedido de vistas apresentado pelo conselheiro Alexandre D’Ávila da Cunha, representante da FIESC no colegiado. A decisão de adiar a votação causou revolta entre os estudantes que apoiam a troca de nome, por entenderem que a maioria já estaria formada a favor da mudança. Mesmo sob críticas, o reitor Irineu Manoel de Souza acatou o pedido, justificando que o regimento do CUn permite a solicitação.
A proposta de mudança se baseia no relatório da Comissão Memória e Verdade da própria UFSC, que aponta o ex-reitor como colaborador do regime militar, por supostamente ter enviado ofícios ao SNI e contribuído com perseguições a estudantes e professores na década de 1960. A família de João David Ferreira Lima, no entanto, contesta as acusações e questiona a validade dos documentos apresentados.
A advogada Heloisa Blasi, que representa os familiares, afirmou durante a sessão que não existem provas materiais de que os documentos chegaram aos órgãos militares e classificou o relatório da comissão como “inconsistente”.
O ato de queimar os jornais gerou repercussão negativa fora da universidade. O Jornal Razão se solidariza com o ND+ diante do episódio e reafirma seu compromisso com a liberdade de imprensa. A queima de materiais jornalísticos como forma de protesto ultrapassa os limites democráticos e fere o direito ao contraditório — especialmente dentro do ambiente universitário, que deve ser um espaço plural e aberto ao debate de ideias.
A próxima sessão do Conselho Universitário está marcada para terça-feira (17) e, segundo o reitor, não haverá possibilidade de novo adiamento. A votação pode selar o fim da homenagem a Ferreira Lima, que foi o primeiro reitor da UFSC entre 1961 e 1971. O novo nome do campus ainda não está em discussão.

