Carlos Bolsonaro pode disputar o Senado em 2026 com aval do pai e apoio da direita

Foto: Renan Olaz/CMRJ

O ex-presidente Jair Bolsonaro intensificou as articulações para lançar seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), como candidato ao Senado Federal nas eleições de 2026. A movimentação faz parte de uma estratégia maior para ampliar a presença da direita e do bolsonarismo no Congresso, especialmente no Senado, mirando um embate direto com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na noite do último domingo (15/06), Carlos sinalizou publicamente sua possível saída da Câmara Municipal do Rio, onde exerce mandato desde 2001, para disputar um cargo majoritário. Em tom de despedida, publicou nas redes sociais que, “quase por convocação”, estuda atender ao “chamado” para disputar outro cargo, seja no Rio de Janeiro ou em outro estado. “Se concretizar essa mudança, levarei comigo a experiência conquistada na Câmara do Rio e aprendida observando meu pai, certo de que valores não mudam com o CEP, mas ganham força quando encontram novas frentes para florescer”, escreveu.

A possibilidade de uma candidatura por Santa Catarina também entrou no radar da família Bolsonaro. Jair Bolsonaro teria ligado diretamente para a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) há cerca de duas semanas para comunicar que considera lançar Carlos ao Senado pelo estado. A parlamentar confirmou o teor da conversa, mas reforçou que a decisão ainda não está fechada.

A declaração pública de Carlos imediatamente provocou reação do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente está nos Estados Unidos, onde tenta evitar medidas judiciais que poderiam resultar na apreensão de seu passaporte, em meio às investigações do Supremo. Eduardo, que também era apontado como possível candidato ao Senado, declarou apoio irrestrito ao irmão. “Meu irmão, conte com o meu apoio para absolutamente qualquer cargo. Eu não seria óbice nem mesmo para que você disputasse um cargo que eu almejasse, abriria mão para você sem titubear”, publicou.

Nos bastidores, aliados do ex-presidente confirmam que a movimentação não se limita à candidatura de Carlos. A estratégia do PL para 2026 é fortalecer a bancada bolsonarista no Senado, mirando a formação de uma maioria que seja capaz de impor resistência ao avanço de decisões do Judiciário, especialmente do STF, e de influenciar pautas conservadoras no Congresso.

De acordo com informações repassadas por dirigentes do partido, Bolsonaro tem imposto uma série de exigências aos candidatos que pretende apoiar, sendo a principal delas uma postura abertamente crítica ao Supremo Tribunal Federal. A ideia é que os postulantes tenham compromisso público com uma agenda que inclua críticas ao que os aliados classificam como “ativismo judicial”, além de prometer fidelidade aos valores defendidos pelo bolsonarismo: conservadorismo nos costumes, liberalismo econômico e endurecimento na segurança pública.

Essa movimentação faz parte de um redesenho da estratégia da direita bolsonarista após os resultados das eleições de 2022 e em meio ao avanço de investigações que atingem diretamente Bolsonaro e seus filhos. A avaliação no entorno do ex-presidente é que o Senado se tornou uma arena crucial para garantir blindagem política, barrar ações do STF e pressionar o Judiciário.

Além de Carlos, outros nomes do grupo são cotados para disputar cadeiras no Senado em 2026, como o próprio Eduardo Bolsonaro, caso consiga resolver sua situação judicial, e aliados como Flávio Bolsonaro (atualmente senador pelo Rio), que poderá buscar a reeleição ou eventualmente compor outro projeto.

O ex-presidente também busca estruturar alianças estaduais, especialmente em estados do Sul e Sudeste, onde a direita tem maior capilaridade. O nome de Carlos surge dentro desse contexto, seja concorrendo pelo Rio de Janeiro, onde já tem base eleitoral consolidada, ou por Santa Catarina, um dos estados onde o bolsonarismo tem forte aceitação popular.

A escolha por Santa Catarina, inclusive, não seria casual. Trata-se de um dos estados onde a popularidade da família Bolsonaro se mantém alta, o que, na visão de aliados, aumentaria as chances de vitória diante de eventuais embates internos no próprio PL ou contra adversários da direita tradicional.

No momento, as conversas seguem no campo da possibilidade, mas a sinalização pública feita por Carlos e os movimentos de bastidores confirmam que a disputa de 2026 já está no radar da família Bolsonaro — e o Senado se tornou peça-chave no tabuleiro.

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