

O grupo político do prefeito de Maricá, Washington Quaquá, saiu consagrado das eleições internas do PT do Rio de Janeiro neste domingo (6). Com 62,2% dos votos, o secretário municipal de Habitação do Rio e filho de Quaquá, Diego Zeidan, foi eleito presidente estadual da legenda, impondo uma derrota direta ao deputado federal Reimont e ao bloco que reunia nomes de peso como Lindbergh Farias, Benedita da Silva e André Ceciliano. As informações são do blog Agenda do Poder.
Foram 61.507 votos válidos. Zeidan recebeu 38.301, contra 23.206 de Reimont. O processo, que reuniu mais de 60 mil filiados em 150 locais de votação pelo estado, também definiu os comandos dos diretórios municipais, estaduais e nacional do partido.
Em tom de comemoração, Quaquá declarou após o resultado: “Vencemos contra praticamente todas as figuras públicas do PT do RJ que se uniram contra nós. Mas vencida as eleições agora é reorganizar o PT e mostrar que nossa vitória reflete a necessidade de mudar as pautas, a prática e valorizar o trabalho de base e de periferia do PT. O PT vai se reoxigenar no Rio e ajudar o PT nacional a se reinventar. E a eleger o presidente Lula para o quarto mandato”, disse o dirigente petista.
Na capital, o domínio de Quaquá também se confirmou. O militante Alberes Lima venceu com mais de 70% dos votos e assumirá a presidência do diretório municipal, deixando para trás o ativista Leonel de Esquerda. Ambos, Diego e Alberes, são ligados à corrente interna Construindo um Novo Brasil (CNB), a principal tendência nacional do partido. Com as vitórias, o grupo de Maricá passa a controlar 53% das cadeiras da direção estadual.
Nos bastidores, a expectativa já era de vitória. Zeidan passou os últimos meses circulando por cidades do interior, liderando campanhas de filiação e dialogando com diretórios locais. A estratégia foi clara: reforçar a militância nos territórios populares e ampliar a presença do partido para além das bolhas tradicionais.
Nas redes, Zeidan já havia deixado claro seu projeto: “Eu subo a favela, converso com o povo, ando nas ruas, porque é assim que a gente constrói um partido forte e enraizado”, disse. Em outro trecho, criticou a elitização do partido: “O PT não pode falar só com a Zona Sul ou com a Praça São Salvador. Meu compromisso é com o povo trabalhador de todo o Rio de Janeiro”.
Mesmo com o apoio de nomes históricos, o campo adversário não resistiu. Estavam ao lado de Reimont, além de Benedita e Lindbergh, as deputadas estaduais Verônica Lima, Elika Takimoto, Marina do MST e o ex-presidente da Alerj, André Ceciliano.
A votação foi feita com cédulas de papel, e não por urnas eletrônicas, como chegou a ser cogitado. O TSE recusou o pedido do partido e repassou a decisão aos tribunais regionais. Para evitar procedimentos distintos em cada estado, a direção nacional optou por padronizar o processo com voto impresso em todo o Brasil.
Com o resultado, Quaquá consolida seu controle sobre o PT fluminense e reforça sua influência na política nacional, enquanto Zeidan assume a missão de reposicionar o partido nas periferias e territórios populares do Rio.
