Quinta Coluna: o inimigo dentro dos muros na Guerra das Nações

Quando o perigo não vem só de fora

Em tempos de guerra entre nações — sejam elas motivadas por disputas territoriais, interesses econômicos, ambições ideológicas ou rivalidades históricas — existe um tipo de ameaça tão destrutiva quanto a artilharia inimiga: aquela que age por dentro, silenciosamente. Ela não se apresenta em tanques ou drones, mas em palavras dissimuladas, sabotagens discretas, alianças ocultas. Estamos falando da quinta coluna, expressão que ainda hoje carrega ecos sombrios dos conflitos do século XX e que segue perigosamente atual em um mundo dividido por novas e velhas fraturas geopolíticas.

Origem da expressão “quinta coluna”

A expressão nasceu em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola. O general fascista franquista Emilio Mola marchava em direção a Madri com quatro colunas de tropas, mas teria dito que contava com uma “quinta coluna” já infiltrada dentro da cidade: simpatizantes nacionalistas dispostos a sabotar a resistência republicana a partir de dentro.

A frase ganhou o mundo como sinônimo de infiltração ideológica ou operacional em território inimigo. Desde então, “quinta coluna” passou a designar grupos de civis ou mesmo agentes estatais que, secretamente, colaboram com um inimigo estrangeiro contra o próprio país, atuando como espiões, propagandistas, sabotadores ou influenciadores.

Na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e o Reino Unido usaram o termo para se referir a possíveis simpatizantes do nazismo dentro de suas fronteiras.

A quinta coluna no século XXI: menos uniforme, mais discurso e algoritmo

Hoje, a figura do quinta-colunista continua viva, embora menos visível. Num cenário de guerras híbridas — em que o campo de batalha também é digital, narrativo e financeiro — a quinta coluna pode assumir novas formas:

  • Cidadãos manipulados por desinformação estrangeira, que minam a coesão nacional ao espalhar fake news;
  • Empresários ou agentes públicos que conspiram contra os próprios interesses nacionais em nome de potências estrangeiras;
  • Grupos ideológicos radicalizados que promovem a desestabilização do Estado a partir de dentro;
  • Atores cibernéticos infiltrados, comprometendo a soberania digital de uma nação por meio de ataques silenciosos.

Em tempos recentes, a invasão da Ucrânia pela Rússia, o conflito entre Israel e Hamas, a disputa por Taiwan entre China e EUA, e até o embate geoeconômico entre blocos como OTAN, BRICS e G7 têm revelado como o conceito de “quinta coluna” se adapta aos tempos: não apenas colaboracionistas físicos, mas algoritmos, bots, vozes influentes ou aparentes patriotas que, na verdade, prestam reverência a interesses alheios à própria pátria.

Quando a guerra começa em casa

Não é mais preciso marchar com armas para sabotar uma nação. Um influenciador digital promovendo teorias da conspiração de origem estrangeira pode ter mais impacto do que uma célula terrorista. Um político financiado por potências externas pode, do Parlamento, causar mais dano do que um ataque aéreo. A quinta coluna do presente pode ser o vizinho, o funcionário público, o CEO, o pastor, o youtuber.

Por isso, é fundamental que os Estados e seus cidadãos estejam atentos não apenas às fronteiras físicas, mas também às fronteiras ideológicas, digitais e econômicas. A defesa nacional não se faz apenas com soldados, mas com educação crítica, jornalismo livre, inteligência estratégica e, sobretudo, resiliência democrática.

Olhos abertos também para o inimigo interno

A quinta coluna é o lembrete de que não há segurança plena sem vigilância interna. Em um mundo onde as guerras raramente são declaradas e frequentemente travadas por meios invisíveis, o inimigo pode estar dentro dos portões — disfarçado de aliado, infiltrado na cultura, aninhado na política ou operando por trás de telas. Identificá-lo sem cair na paranoia é o desafio dos tempos modernos. Mas ignorá-lo é permitir que a ruína venha de dentro, com um sorriso e uma bandeira falsa na mão.

E, como já se disse no passado, a primeira vítima da guerra é a verdade — e a quinta coluna, infelizmente, sabe disso melhor do que ninguém.


As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.

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