Brasília (DF) – A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta sexta-feira (18), mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no Jardim Botânico, e no escritório político do ex-mandatário localizado na sede do Partido Liberal, em Brasília. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e fazem parte de uma nova fase de investigações que correm em sigilo.
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Fontes ligadas à PF confirmaram que Bolsonaro estava em casa no momento da chegada dos agentes. A ação ocorre em meio a um ambiente político altamente inflamado, com tensões diplomáticas crescentes entre Brasil e Estados Unidos.
Trump envia nova carta e pressiona STF
Na noite anterior à operação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou uma carta direcionada a Bolsonaro, em que exigia o fim imediato do julgamento que o ex-presidente brasileiro enfrenta no Supremo por tentativa de golpe de Estado. Na mensagem, Trump acusou o Brasil de censura e disse estar observando “de perto” a atuação das instituições brasileiras.
“Esse julgamento deveria acabar imediatamente! Não me surpreende vê-lo liderando nas pesquisas; você foi um líder altamente respeitado e forte, que serviu bem ao seu país”, escreveu Trump.
Trump também alegou que o governo Lula estaria atacando opositores políticos e tentando impor controle sobre as redes sociais, críticas que ele usou como justificativa para uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, anunciada por seu governo e válida a partir de 1º de agosto.
Lula reage: “Traidores da pátria”
A resposta de Lula veio horas depois, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão. O presidente brasileiro subiu o tom contra Trump e rebateu duramente a carta:
“Não aceitaremos chantagens. Não aceitamos ataques à soberania do Brasil, nem interna, nem externa. Somos um país de paz, mas que ninguém se esqueça: o Brasil tem um único dono – o povo brasileiro”, afirmou.
Sem citar nomes, Lula também criticou parlamentares brasileiros que, segundo ele, estariam apoiando o ataque comercial promovido pelos EUA:
“São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo”, disse o presidente.
Contexto: julgamento, tarifas e tensões crescentes
Bolsonaro é réu em ação penal no STF por supostamente liderar um plano para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou pela condenação do ex-presidente, e a ofensiva judicial inclui medidas restritivas que podem ser adotadas nos próximos dias, inclusive por suposto risco de fuga do país.
Enquanto isso, Trump intensificou a retórica contra o governo brasileiro. Além das críticas à Justiça, o presidente americano afirmou que a política tarifária adotada é uma forma de “expressar sua desaprovação” ao que chamou de “regime de censura” no Brasil.
Lula, por sua vez, rebateu as alegações com dados econômicos. Segundo o presidente, os Estados Unidos mantêm superávit comercial de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos, e as acusações de práticas desleais seriam infundadas. Ele também destacou os avanços na redução do desmatamento e reforçou a defesa do sistema Pix, alvo de críticas por parte de Trump.
Escalada diplomática e apoio internacional
A tensão entre os dois países reacende o debate sobre soberania, interferência externa e liberdade de expressão. A carta de Trump representa o segundo ataque direto à Justiça brasileira em menos de uma semana, ao passo que Lula vem tentando consolidar apoio interno e internacional para resistir às sanções.
Eduardo Bolsonaro na mira
Nos bastidores, cresce a especulação sobre o papel de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente e atualmente licenciado do mandato. Morando nos Estados Unidos desde março, ele é apontado como elo de articulação com o governo Trump e também é alvo de inquérito da Polícia Federal sobre possível ingerência internacional em assuntos internos do Brasil.
O que esperar
O cerco se fecha em várias frentes: jurídica, política e diplomática. A operação da Polícia Federal pode resultar em novas medidas contra Bolsonaro nos próximos dias. Nos bastidores do STF, há preocupação com a tentativa de politização internacional do caso e possíveis interferências externas.
Enquanto isso, o governo brasileiro já avalia estratégias jurídicas e comerciais para responder à nova tarifa imposta pelos EUA, incluindo recursos à Organização Mundial do Comércio (OMC) e retaliações com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em abril.
A escalada entre os dois países promete continuar nas próximas semanas, e os desdobramentos da operação desta sexta-feira podem ser decisivos para o futuro político de Bolsonaro — e para o rumo das relações Brasil-EUA.
