Viralizar ofendendo SC rende grana: influenciadores são pagos em dólar por vídeos mentirosos

Há meses o Jornal Razão acompanha o avanço de um fenômeno nas redes sociais: vídeos com ataques genéricos e ofensivos contra o povo catarinense, com frases como “catarinense é porco”, “racista”, “burro”, “preguiçoso” — geralmente ditas por influenciadores de fora do Estado, que vêm morar aqui, se aproveitam da visibilidade e transformam o ódio em engajamento. E pior: em dinheiro.




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Não é por acaso. Não é exagero. E não é de hoje.

Esse tipo de conteúdo virou uma febre no TikTok e Instagram. Influenciadores descobriram que quanto mais ofendem Santa Catarina, mais visualizações recebem. E com mais visualizações, vem a monetização: dinheiro por curtidas, compartilhamentos e comentários. Um sistema que recompensa justamente quem ataca.

Na prática, plataformas como o TikTok remuneram criadores com base no número de visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos. Quanto maior o alcance, maior o pagamento. É por isso que conteúdos polêmicos — mesmo que sejam ofensivos ou mentirosos — acabam sendo estimulados pelo próprio sistema. O novo alvo é Santa Catarina.

No caso mais recente, um influenciador identificado como Murilo Lisboa publicou vídeos chamando os catarinenses de “racistas, porcos, burros e preguiçosos”. O conteúdo viralizou e, como ele mesmo admitiu ao Jornal Razão, gerou cerca de $ 50 dólares em monetização só com um vídeo — ou seja, aproximadamente R$ 250,00. Só não vai receber o valor porque, após a repercussão e o medo das consequências, apagou tudo.

O influenciador procurou nossa equipe exigindo que retirássemos a reportagem do ar. Disse que estava sendo ameaçado, que sua família estava em risco, que supostamente “acordou com chutes na porta” e tentaram arrombar sua casa. Ele ainda prometeu que voltaria para a Bahia neste mês. Em tom de desespero, ofereceu dinheiro para que a matéria fosse apagada. O Jornal Razão recusou.

Somos um veículo de imprensa, não um balcão de negociação.

Nossa missão é informar, e não compactuar com a cultura do “fala o que quiser e depois paga para sumir”. Disse ainda que tinha um vídeo de retratação gravado, mas que “não era o momento de publicar”.

Enquanto isso, os vídeos continuam circulando entre perfis que seguem repetindo o mesmo roteiro: ofensa generalizada, narrativa distorcida, polêmica forçada — tudo para ganhar clique, curtida e, no fim, lucro.

Ignorar não resolve.

Fingir que não está acontecendo só fortalece esse tipo de comportamento. Por isso, escolhemos expor. Escolhemos mostrar, com clareza, o que está por trás de vídeos aparentemente “engraçados” ou “críticos”. Não são falas isoladas. É um mercado de desinformação contra os catarinenses.

Ao denunciar, abrimos espaço para o debate. E damos ao povo catarinense o direito de saber.

As falas do influenciador chegaram a mobilizar o próprio governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e a deputada federal Júlia Zanatta, ambos seguidores do Jornal Razão e ativos em nossas redes. Eles se manifestaram em defesa do Estado e de seu povo — como deve ser.

Santa Catarina não é terra de ninguém.

E quem vier aqui apenas para atacar e ganhar com isso, vai continuar sendo exposto. Não por vingança. Mas por responsabilidade. Por respeito à verdade. E por compromisso com quem vive, trabalha, paga imposto e constrói essa terra todos os dias.

É importante lembrar que os vídeos divulgados inicialmente eram públicos, estavam disponíveis para qualquer pessoa acessar, e continham declarações explícitas de interesse jornalístico. Ao publicá-los, o JR não expôs ninguém ao ridículo gratuitamente, tampouco distorceu o conteúdo. Apenas cumpriu seu dever de noticiar fatos que atingem diretamente a população do estado.

A tentativa de transformar isso em perseguição é, na verdade, mais uma estratégia para desviar o foco da responsabilidade individual de quem, de forma consciente, gravou vídeos com falas ofensivas e preconceituosas.



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