Burocracia barra manobra para salvar mandato de Eduardo Bolsonaro no Rio

Foto: Rogério Santana

A pressão do clã Bolsonaro para emplacar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como secretário estadual no governo Cláudio Castro (PL) esbarrou em um obstáculo simples, mas definitivo: a lei do próprio estado do Rio de Janeiro. Para assumir um cargo no secretariado fluminense, o parlamentar precisaria tomar posse presencialmente — justamente o que ele se recusa a fazer. As informações são de Berenice Seara/Tempo Real.

A movimentação partiu do núcleo mais próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que pediu ao governador que criasse uma secretaria específica com atuação nos Estados Unidos. O objetivo seria possibilitar que Eduardo, que está fora do país desde o começo do ano, se licenciasse novamente da Câmara dos Deputados, interrompendo a contagem de faltas parlamentares e, consequentemente, o risco de cassação por ausências.

O governador, no entanto, se viu numa enrascada. Ao nomear o deputado, agradaria à família Bolsonaro, com quem a relação ficou estremecida desde a exoneração de Washington Reis da Secretaria de Transportes. Mas, ao mesmo tempo, criaria desgaste com o governo federal e setores do Supremo Tribunal Federal (STF).

Interlocutores de Castro chegaram a fazer consultas informais a ministros do Supremo. A resposta foi clara: a iniciativa seria vista com grande resistência. “Não seria bem recebida pelos ministros da Corte”, foi a avaliação repassada ao governador.

Sem precisar recusar o pedido diretamente, Castro acabou sendo salvo pela burocracia. A legislação estadual é clara ao exigir que os secretários estaduais tomem posse de forma presencial no território fluminense. E, como se sabe, Eduardo Bolsonaro já declarou que não pretende voltar ao Brasil no momento, temendo ser alvo de prisão.

Assim, a manobra para blindar o deputado da cassação não avançará no Rio de Janeiro, para alívio do governador. Com o impedimento formal, Castro se livra da pressão política sem entrar em rota direta de colisão com o STF.

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