Integrantes do MST ocuparam, na manhã desta quarta-feira (23), o prédio do Incra em São José, na Grande Florianópolis.
Clique e receba notícias do Jornal Razão em seu WhatsApp: Entrar no grupo
A ação faz parte da mobilização nacional chamada “Semana Camponesa”, que ocorre em pelo menos 22 estados e no Distrito Federal. O objetivo é pressionar o Governo Federal pela retomada de políticas públicas voltadas à reforma agrária.
Em Santa Catarina, os militantes montaram barracas em frente à superintendência do Incra e ocuparam as salas internas do prédio, onde realizaram reuniões com servidores e representantes do órgão.
Em nota divulgada no Instagram, o Incra/SC classificou o momento como “diálogo” com os trabalhadores e informou que a reunião tratava da pauta de reivindicações apresentada pelo movimento.
A presença do MST gerou reações nas redes sociais. O vereador Cryslan (NOVO), de São José, afirmou ter acionado a Polícia Militar para acompanhar a movimentação.
“Aqui em São José não vamos tolerar invasões ou qualquer ameaça à propriedade privada”, declarou o parlamentar.
Já o ex-deputado estadual Bruno Souza (PL) utilizou palavras mais duras. Em vídeo publicado nas redes, chamou os militantes de “bandidos” e pediu que a PM “expulse os vagabundos” do local.
A ocupação ocorre na semana do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural, celebrado em 25 de julho. O MST afirma que mais de 2 mil famílias estão acampadas apenas no Distrito Federal aguardando ações efetivas do Incra.
Segundo o dirigente Marco Baratto, há áreas em processo de aquisição e desapropriação que estão paradas por falta de orçamento e servidores. “A situação é de caos”, declarou.
A carta pública do movimento destaca quatro principais reivindicações:
- Democratização da terra com novos assentamentos;
- Crédito e infraestrutura para desenvolver os assentamentos;
- Educação do campo, com ampliação do orçamento do Pronera;
- Soberania nacional e oposição ao agronegócio internacional.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) afirma que o governo Lula já retomou investimentos na área, com 17.297 lotes disponibilizados e cerca de R$ 1,1 bilhão em aquisições de terras desde 2023.
O MST, no entanto, contesta os dados. Alega que os recursos não estão chegando à base e afirma que apenas 3.353 famílias foram efetivamente assentadas, enquanto mais de 122 mil ainda aguardam acesso à terra.
Em estados como São Paulo, Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba, os atos seguiram o mesmo padrão: ocupações de unidades do Incra, reuniões com gestores e leitura da carta com as pautas nacionais.
Na Bahia, a ocupação da Estação de Zootecnia do Extremo Sul, em Itabela, causou tensão. Segundo relatos, os militantes cortaram cercas, fizeram ligações elétricas irregulares e impediram servidores de acessar a área de pesquisas da Ceplac.
Até o momento, o governo federal não se manifestou sobre a ocupação em São José. Já o Incra nacional reiterou que segue aberto ao diálogo com os movimentos sociais. Em SC, ainda não há prazo oficial para desocupação.



