PSOL distorce decisão judicial pra atacar Jorginho e fortalecer projeto lulista em SC

O pré-candidato ao governo de Santa Catarina pelo PSOL, Afrânio Boppré, publicou nas redes sociais uma série de postagens em que responsabiliza diretamente o governador Jorginho Mello (PL) por uma condenação imposta ao Estado devido a falhas no tratamento de esgoto hospitalar. No entanto, a sentença judicial — originada a partir de ações do Ministério Público em 2013 — refere-se a problemas ambientais que se arrastavam por mais de uma década.




Clique e receba notícias do Jornal Razão em seu WhatsApp: Entrar no grupo

A decisão, proferida em julho de 2025, obriga o Estado de SC a pagar R$ 10 milhões em danos morais coletivos pela contaminação de rios causada por rejeitos hospitalares lançados de forma irregular. Os hospitais envolvidos são o Regional de São José e o Santa Teresa, em São Pedro de Alcântara — ambos sob responsabilidade do governo estadual. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), os problemas foram reiteradamente apontados desde 2007, sem solução por diferentes governos ao longo dos anos.

Apesar disso, Boppré publicou em seu perfil no Instagram a frase:

“VERGONHA! O Estado de SC foi condenado a pagar R$10 milhões em danos morais coletivos por graves problemas ambientais gerados em Hospitais Públicos. Mais uma irresponsabilidade do governo Jorginho Mello!”

Ele também afirma que a condenação revela “omissão” da atual gestão.

Além de atacar diretamente Jorginho Mello, Boppré tenta consolidar seu discurso de campanha com o slogan de “alternativa ao bolsonarismo”. Em outras publicações recentes, o pré-candidato classificou o atual governador e o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD) como “farinha do mesmo saco”, afirmando que pretende representar a “unidade do campo democrático” em SC.

O PSOL, em nota divulgada em 3 de julho, ao oficializar a pré-candidatura de Boppré, também reforçou o discurso de enfrentamento à “extrema-direita”, defendendo uma alternativa que una forças da esquerda em Santa Catarina.

Entretanto, ao usar a recente condenação judicial ambiental como argumento eleitoral contra o atual governo, o pré-candidato omite o contexto histórico e jurídico da decisão. As ações judiciais movidas pelo MPSC foram baseadas em inspeções feitas entre 2007 e 2013, com alegações de que o Estado ignorava alertas técnicos, permitia funcionamento de hospitais sem licença ambiental e não mantinha em operação estações de tratamento.

No caso do Hospital Santa Teresa, por exemplo, a estação de tratamento de esgoto estava abandonada há anos, e os resíduos eram lançados diretamente em corpos d’água como o Riacho Morto e o Rio Maruim. Já no Hospital Regional de São José, o chorume dos resíduos era despejado na rede de drenagem urbana, desaguando na Baía Sul.

As sentenças também exigem do Estado ações corretivas, como:

  • Construção de novas ETEs (estações de tratamento de esgoto);
  • Fiscalização permanente;
  • Regularização ambiental;
  • Implantação de programas de gestão ambiental.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) se manifestou após a divulgação da decisão. Segundo nota oficial, os problemas relatados dizem respeito a gestões anteriores e, no caso do Hospital Regional de São José, a antiga estação de tratamento foi desativada há anos, sendo substituída pela conexão à rede pública homologada pela Casan. A SES também informou que a licitação para uma nova ETE no Hospital Santa Teresa foi aberta em junho de 2025, mas não houve empresas interessadas, e agora a pasta trabalha para relançar o processo.

“A condenação fala por si, e o que está em jogo aqui é a continuidade de um problema estrutural. Reduzir isso à gestão atual é desonesto com o eleitor e desrespeitoso com a inteligência do cidadão catarinense”, afirmou um analista político ouvido pela reportagem.

Nas redes sociais, Boppré manteve o tom combativo e reafirmou que irá usar seu espaço como pré-candidato para denunciar o que chama de “modelo bolsonarista de gestão pública”. Ele se apresenta como representante do “palanque de Lula em SC”, e diz que sua missão é construir uma alternativa popular e democrática ao que chama de “domínio da extrema-direita no estado”.





NOTÍCIA