Diretor da Cedae nega estudo sobre venda da estatal em audiência na Alerj

O diretor da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Humberto Mello, negou que exista qualquer estudo em andamento sobre a venda de capital da estatal. A declaração foi feita nesta sexta-feira (1º), durante audiência pública da Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que discutiu os desafios da empresa no tratamento e fornecimento de água, além dos resultados da concessão dos serviços.

No início deste ano, um consórcio de instituições financeiras foi contratado para elaborar um estudo de viabilidade econômico-financeira com o objetivo de fortalecer o capital da Cedae.

“O que temos é uma empresa que está estudando o futuro da Cedae para os próximos 20 anos, mas não há qualquer trabalho referente à venda da companhia”, afirmou o diretor.

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A audiência coincidiu com a data em que a Cedae completou 50 anos – Foto: Divulgação/ Thiago Lontra

Desde 2021, a atuação da Cedae está restrita à captação e ao tratamento da água, que é fornecida às concessionárias Águas do Rio, Aegea e Iguá, responsáveis pela distribuição e que detêm a concessão por 35 anos. Mesmo após o leilão, a companhia manteve margens expressivas de lucro: só em 2024, o lucro foi de cerca de R$ 1 bilhão, segundo a Secretaria Estadual da Casa Civil.

Integrante do Conselho de Administração da Cedae, Jorge Briard defendeu que a companhia continue sob controle estatal

“A Cedae é lucrativa e não precisa entregar seu controle acionário a investidores privados. A empresa tem créditos a receber, especialmente de repasses não realizados pelas concessionárias, que somam bilhões de reais. Além disso, possui um plano de investimentos robusto e é autossustentável, gerando receita ao Estado”, disse.

Presidente da comissão da Alerj, o deputado Jari Oliveira (PSB) também reforçou a importância de manter a estatal pública.

“A companhia é um ativo estratégico do Estado, responsável pelo abastecimento de milhões de fluminenses. Sua desestatização representaria não apenas um risco à soberania administrativa, mas também um grave atentado à segurança hídrica do Rio de Janeiro.”



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