Vereadores rejeitam pedido de transparência sobre alimentos arrecadados e população se revolta em SC

Um pedido simples de informação acabou provocando uma grande polêmica na Câmara de Vereadores de Balneário Piçarras (SC) e gerou revolta nas redes sociais. Durante a sessão ordinária desta semana, seis vereadores votaram contra o Requerimento n° 040/2025, que buscava esclarecimentos sobre a distribuição dos alimentos arrecadados no Piçarraiá, evento realizado pela Prefeitura no início de julho.




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Ao todo, segundo divulgado pela própria administração municipal, foram arrecadadas 15 toneladas de alimentos não perecíveis, que seriam destinados a 17 entidades e lideranças comunitárias. A entrada para o evento era gratuita, mediante doação de 1kg de alimento por pessoa.

O requerimento foi apresentado pelos vereadores João Forte (PSDB) e Adriana Linhares, a Drica (PSDB), após os dois relatarem que receberam propostas inusitadas: segundo eles, uma secretária da Prefeitura ofereceu cestas básicas diretamente a ambos, sem qualquer solicitação prévia. Incomodados, decidiram buscar mais informações oficialmente, mas enfrentaram resistência.

Com as portas fechadas pelo Executivo, os parlamentares levaram o caso ao plenário. O objetivo do requerimento era forçar a apresentação de documentos com a lista das instituições beneficiadas e os critérios usados na distribuição dos alimentos. A proposta, no entanto, foi barrada.

Votaram contra os vereadores Sandro Irmão (MDB), Matheus Cunha (MDB), Bira Andrade (MDB), Robson Bigo (PL), Gleber Silveira (PL) e Maikon Rodrigues (PL). Os votos favoráveis foram dos propositores João e Drica, além de Dalva Teixeira (PSD) e Jorge Luiz (MDB).

A repercussão foi imediata. Centenas de moradores usaram as redes sociais para criticar a decisão da maioria da Câmara. Comentários como “Já é absurdo ter que pedir transparência. Negar o pedido é ainda pior” e “Quem não deve, não teme” se multiplicaram. Muitos eleitores afirmaram que “já sabem em quem não votar”.

Outros moradores questionaram a função dos parlamentares. “A função do vereador é fiscalizar. Como é que votam contra transparência?”, escreveu uma internauta. “Ofereceram comida pra vereador? Então isso não tá certo”, publicou outro. Alguns associaram o caso a polêmicas anteriores, como a doação de pneus pela Receita Federal, em referência a outro episódio que envolveu falhas na gestão de recursos recebidos por doação.

A situação também gerou críticas políticas diretas. Parte dos comentários acusou os vereadores ligados ao PL e MDB de “votarem contra o povo” e “defenderem o governo”, enquanto outros afirmaram que a rejeição do requerimento “só levanta suspeita”.

Até o momento, os seis vereadores que votaram contra a proposta não se manifestaram publicamente. Já a Prefeitura reafirma que os alimentos foram destinados a instituições como a Casa de Idosos Lar Dona Zofia, AMA, APAE, Caminhar Juntos, Sítio Caminho Novo, Perpétuo Socorro e igrejas locais.

Para João Forte, a negativa ao pedido não tem justificativa. “O povo doou com boa fé. O mínimo que se espera é transparência. O requerimento era pra isso. Não pedimos nada além de informações”, disse.

A crise de confiança se instalou. E a pergunta que mais se repete nos comentários da população continua ecoando: “Sumiram com a comida?”



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