Durante discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (Conselhão), nesta terça-feira (5), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou frustração com a pouca repercussão da saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU. Segundo ele, a conquista foi ofuscada pelo debate sobre a nova taxação de compras internacionais — apelidada de “tarifaço” — que dominou o noticiário e as redes sociais.
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“Eu pensei que a gente ia fazer uma festa. E, em função da taxação, a gente não fez festa. Saiu um comunicado de que o Brasil saiu do Mapa da Fome. Quantos países do mundo gostariam de ter conseguido o que nós conseguimos?”, disse Lula, visivelmente emocionado.
O presidente afirmou que a fome havia sido erradicada em 2014, mas que, ao retornar ao cargo em 2023, encontrou o país com 33 milhões de pessoas passando fome. “A gente tinha acabado com essa maldita fome em 2014. Voltamos 15 anos depois e já tinha 33 milhões de pessoas passando fome outra vez.”
Segundo ele, o governo conseguiu retirar 29 milhões de brasileiros da fome nos últimos meses, o que representou o retorno oficial do Brasil à condição de país fora do Mapa da Fome da ONU. “29 milhões e meio de pessoas voltaram a comer decentemente nesse país. Não é pouca coisa, é um trabalho insano”, afirmou, em referência à população que ainda enfrenta insegurança alimentar.
Em tom de desabafo, Lula reclamou que a importância do feito foi ignorada por parte da sociedade. “Pensei em fazer dessa semana uma verdadeira festa, que outra vez o Brasil estava riscado do mapa da fome da ONU.”
O presidente também lembrou uma promessa antiga, feita no início do seu primeiro mandato, ainda em 2003. “Eu vou lembrar vocês o que eu falei em 2003: se ao terminar o meu governo, cada brasileiro ou brasileira tiver tomando café da manhã, almoçando e jantando, eu já terei cumprido a missão da minha vida.”
Lula aproveitou o momento para criticar a invisibilidade social de milhões de brasileiros em situação de miséria. “Essas pessoas que estão passando fome dificilmente vão pro centro da cidade. Os teatros são feitos pra quem tem dinheiro. O cinema é feito pra quem pode pagar. Os invisíveis não têm.”



