Lula diz que Moraes está ‘garantindo a democracia’ no Brasil

Em discurso em Rio Branco (AC) nesta sexta-feira, 8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao senador Sérgio Petecão (PSD-AC) que “não assine pedido de impeachment do Alexandre de Moraes porque ele está garantindo a democracia”. A posição do congressista consta como “indefinida” pelos apoiadores da deposição.

O petista ainda afirmou que “quem deveria ter o impeachment são esses deputados e senadores que ficam tentando fazer greve para não permitir que funcionem a Câmara e o Senado, verdadeiros traidores da pátria”.

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Lula se refere a um episódio ocorrido no começo desta semana, quando parlamentares da oposição ocuparam a Mesa do plenário da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em protesto, o que forçou a interrupção dos trabalhos legislativos.

O ato levou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a afirmar que a conduta “extrapolou os limites” e que discutiria com a Mesa Diretora o envio de pedidos de punição ao Conselho de Ética. No mesmo contexto, também foi registrada agressão física contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

A oposição obstruiu os trabalhos do Congresso em reação direta à decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de não dar prosseguimento ao pedido de impeachment de Moraes. O ato ocorreu depois que Alcolumbre afirmou a líderes partidários que “nem se tiver 81 assinaturas” colocaria o pedido para votação.

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A oposição reúne 41 assinaturas até o momento, número suficiente para protocolar o requerimento, e considerava isso uma vitória política mesmo diante de uma maioria governista e ainda receosa com o projeto.

Os oposicionistas pressionam para que o processo seja pautado e alegou supostos abusos de Moraes em decisões judiciais. Também foram mencionadas as sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro e ao Brasil como argumento político.

Lula detalha repasses ao Acre

A fala fez parte de um evento no qual o presidente anunciou investimentos federais de R$ 1,1 bilhão no Acre, com obras e ações em áreas como infraestrutura e apoio a cadeias produtivas. Entre as medidas, destacou a destinação de R$ 40 milhões para quatro indústrias de cooperativas locais — três de café e uma de açaí.

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Lula começou seu discurso com uma recordação de sua relação com o Acre desde 1975, quando atuava como sindicalista. Citou a fundação do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores, bem como visitas para apoiar movimentos contra o desmatamento e para prestar solidariedade ao líder seringueiro Chico Mendes.

O presidente também criticou gestões anteriores e retomou episódios ligados à condução da pandemia de Covid-19, ao acusar o governo Bolsonaro de ter adotado postura irresponsável no enfrentamento da crise sanitária.

Disse que parte das mortes registradas no período “é da responsabilidade dele por ser irresponsável no trato da saúde” e citou declarações que atribuía ao ex-presidente, como a de que quem tomasse vacina “vira jacaré” ou “vira gay”.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à agência de notícia Reuters | Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilPresidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à agência de notícia Reuters | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à agência de notícia Reuters | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O petista também mencionou a disseminação de notícias falsas e afirmou que o país viveu “quatro anos de mentira, de instigação do ódio, de fake news, de estupidez”, e que havia um “gabinete do ódio” que produzia “11 mentiras por dia” na internet.

Ele acusou o ex-presidente de ter incentivado seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a buscar apoio no exterior “para os americanos dar golpe nesse país” e classificou o ato como “traição” contra a população brasileira.

Em seguida, Lula usou termos diretos ao se referir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: “Aprenda a respeitar a soberania desse país”, ordenou. “Aprenda a respeitar a soberania e a autonomia do poder judiciário brasileiro.”

A fala veio no contexto de pressões políticas externas, como as sanções impostas pelo governo norte-americano a Moraes e ao Brasil. No final de maio, o ministro foi alvo da Lei Magnitsky, medida dedicada a punir violadores de direitos humanos em todo o planeta.

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