O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quarta-feira (13) que o Brasil está sendo alvo de uma alíquota de importação de 50% por parte dos Estados Unidos por ser “mais democrático” que o país norte-americano. A fala ocorreu durante o lançamento do plano de contingência contra o “tarifaço” de Trump, no Planalto.
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“Estamos em uma situação muito inusitada”, disse Haddad, ao iniciar a fala sobre Trump. “O Brasil é um país que está sendo sancionado por ser mais democrático do que seu agressor. É uma situação inédita e muito incomum no mundo um país que não persegue adversários, imprensa, escritórios de advocacia, universidades, imigrantes legais ou ilegais está sujeito a uma retaliação injustificável.”
Ainda em discurso, o ministro também disse ser uma “uma situação inédita e muito incomum no mundo” que um país que “não persegue adversários, não persegue imprensa, não persegue escritórios de advocacia, não persegue universidades, não persegue imigrantes legais ou ilegais, está sujeito a uma retaliação injustificável do ponto de vista político e econômico, como é o caso do Brasil”.
A medida provisória do governo
A medida provisória com as ações foi assinada pelo presidente Lula durante o evento. Segundo o governo, o pacote, chamado de “Plano Brasil Soberano”, foi elaborado depois de reuniões internas e com representantes do setor produtivo.
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O plano prevê apoio às empresas mais atingidas pela taxação, incluindo crédito de R$ 30 bilhões, compras governamentais de produtos não exportados e exigência de conteúdo nacional em mercadorias fabricadas no país.
De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de 45% das empresas que vendem para os EUA devem ser beneficiadas. Setores como celulose, aviação e suco de laranja ficaram isentos do aumento. Já áreas como carne e café receberam taxa adicional de 40% sobre a alíquota de 10% já existente, totalizando 50%, em vigor desde 6 de agosto.


Lula critica medidas de Trump
Também durante o evento, Lula afirmou ter dito ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, caso o episódio da invasão ao Capitólio tivesse ocorrido em território brasileiro, ele também estaria sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Eu disse ao presidente Trump, que se tivesse acontecido no Brasil o que aconteceu no Capitólio, ele estaria sendo julgado aqui também”, declarou Lula. “Porque aqui, depois da nossa Constituição de 1988, a justiça nesse país tem que ser para todos, para brasileiros e estrangeiros residentes aqui.”
O presidente também criticou as sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e o aumento de tarifas sobre produtos nacionais. “Nesse caso, o que é desagradável é que as razões justificadas para impor sanções ao Brasil não existe (sic)”, afirmou.

