

Um dos bairros mais icônicos da Zona Sul carioca, Copacabana padece que ações de desordem pública encabeçadas por moradores de rua e usuários de drogas. O perfil Zona Sul Urgente veiculou um vídeo no qual é possível ver dois homens fazendo uma fogueira para cozinhar em plena Avenida Atlântica, em frente aos edifícios, na altura da Rua Figueiredo Magalhães; trecho muito movimentado da via.
As imagens causaram indignação nos moradores, que padecem com todos os tipos de desvios praticados pela população de rua local.
“Estão acabando com Copacabana, e as autoridades não fazem nada. Copacabana só é lembrada para realização de shows”, disse uma leitora do perfil.
“Tem mendigo DORMINDO dentro do Banco!!!!! Tirei até foto”, completou outra.
“Ué, o povo do Rio escolheu o Eduardo Paes”, comentou uma internauta, cujo comentário foi complementado por outro seguidor do perfil: “Morador de rua ele nao liga. Agora, coloca uma barraquinha para vender algo para você ver se não aparecem 10 vans da prefeitura, 25 viaturas, 160 guardas municipais, 9 caminhões da Comlurb, o sub prefeito e o secretário. Aí é morador de rua, não é camelô. Então ele não liga”.
“Liga 190, se falar que e morador de rua, a PM diz que o problema é da Prefeitura. Prefeitura, pelo 1746 responde em até 30 dias! Tem que chamar o Batman”, ironizou outro seguidor da página, cujos comentários sobre o conteúdo foram muito negativos. Alguns deles criticaram o governador Cláudio Castro, além de destacarem que a desordem verificada em Copacabana pode ser vista em outros bairros das zonas Sul e Norte da cidade.
Ouvido pelo jornal O Globo, o presidente da Sociedade Amigos de Copacabana (SAC), Horácio Magalhães, afirmou ter conhecimento do problema, que já foi denunciado à Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) e aos agentes do programa Rio+Seguro. As entidades, no entanto, pouco podem fazer, já que não é possível tirar os moradores de rua das vias compulsoriamente.
“As equipes encontram as pessoas em situação de rua e solicitam que retirem seus pertences. Eles saem sem oferecer resistência e o local é desobstruído. Depois de algum tempo, retornam para lá. Como uma pessoa em situação de rua não pode ser acolhida compulsoriamente, e visto que não houve flagrante, é o que se pode fazer no momento”, disse Magalhães ao veículo.
Apesar de muitos moradores do bairro afirmarem que as fogueiras são acesas por usuários de crack e outros entorpecentes, Horácio Magalhães afirmou que, em muitas abordagens, não foram verificados flagrante de uso de drogas. Ainda assim, muitas pessoas que moram ou frequentam o bairro chamam-no de “crackCabana”, como repercutiu o perfil.
No início do ano o DIÁRIO DO RIO repercutiu o surgimento de uma cracolândia no bucólico Bairro Peixoto, onde o consumo da droga era feito abertamente, inclusive em plena a luz do dia; deixando os moradores em pânico. O veículo tem repercutido os esforços das autoridades para conter o avanço do consumo de crack em outras drogas nas ruas bairro.
Durante uma operação realizada no início do ano passado, agentes da PM e da SEGOV abordaram 31 pessoas e todas possuíam antecedentes criminais como roubo, furto, tráfico, receptação, Lei Maria da Penha, entre outros. Na ocasião, foram apreendidos diversos cachimbos de crack, pinos de cocaína, trituradores de maconha e objetos perfurocortantes, também chamados de armas brancas.
A desordem provocada por moradores de rua e usuários de entorpecentes não é nova no bairro. O jornal O Globo procurou a Polícia Militar para repercutir o caso das fogueiras. Por meio de nota o comando do 19°BPM (Copacabana) informou que o policiamento na região foi intensificado. Segundo o batalhão, a unidade passou a contar com com um Grupamento de Ação em Motopatrulha.
“Cabe informar que, em muitas situações, os delitos são praticados por cidadãos em situação de vulnerabilidade nas ruas, com elevado índice de reincidência, num cenário composto por demandas que requerem a atuação de outros entes do poder público”, afirmou a entidade na nota.
A Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) também foi procurada e disse que foi à Avenida Atlântica, onde foi acesa a fogueira, tendo encontrado oito pessoas que não quiseram ser acolhidas. A Smas informou que, de janeiro a julho deste ano, foram realizados 6.518 atendimentos, os quais resultaram em 1.089 acolhimentos institucionais no bairro.
Apesar do problema das fogueiras, O Globo destaca que a mancha criminal do bairro sofreu uma retração. O Mapa do Crime, ferramenta lançada pelo veículo, verificou que em julho houve queda significativa nos roubos de celular: 48,5% a menos do que em 2024; e a pedestres, recuo de 43,2% no mesmo período. A Polícia afirma que a redução da criminalidade é resultado do aumento do policiamento em Copacabana a partir do fim de 2023.
