PF investiga suspeita de compra de votos envolvendo prefeito de Porto Belo

No último dia 30 de julho, a Justiça Eleitoral de Santa Catarina autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar suspeitas de compra de votos em Porto Belo, no Litoral Norte do estado. O principal investigado é o prefeito Joel Lucinda (MDB), reeleito em 2024 com 87,20% dos votos. O prazo inicial para a realização das diligências é de 120 dias.




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Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o esquema envolveria a distribuição de vales-combustível e a promessa de cargos públicos e apoio político em troca de votos ou transferência de domicílio eleitoral. Também é apurada perseguição política contra um ex-candidato a vereador da oposição após as eleições. Os fatos investigados podem configurar crimes de corrupção eleitoral e compra de votos, previstos no Código Eleitoral, além de constrangimento ilegal e perseguição, conforme o Código Penal.

Foram citados na denúncia a coordenadora de campanha e atual secretária de Cultura, Cristiane de Jesus, além de cinco ex-candidatos a vereador da chapa “Juntos Construindo o Futuro”. Três deles — Juliano Zandonai, Maurício Gomes e Silvana Nunes Stadler — já foram condenados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) em abril de 2025, por abuso de poder econômico e compra de votos com vales-combustível. As penas aplicadas incluem multa de R$ 30 mil cada e inelegibilidade até 2032. Ainda cabe recurso.

As provas do esquema apontadas na investigação incluem conversas de WhatsApp, áudios e vídeos de abastecimentos em postos de combustíveis, além de depoimentos de testemunhas que afirmaram ter recebido os vales em troca de apoio político. Embora nenhum dos três condenados tenha sido eleito em 2024, eles permanecem como suplentes partidários. Silvana Stadler exerce atualmente a função de secretária municipal de Assistência Social.

Em nota, o prefeito Joel Lucinda afirmou que ainda não foi notificado oficialmente sobre o inquérito e que só se manifestará após comunicação formal. A Prefeitura de Porto Belo declarou que a gestão municipal não tem relação com processos de caráter eleitoral.



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