Mesmo autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a acompanhar o parto do filho em Balneário Camboriú (SC), o youtuber Bismark Fugazza, um dos fundadores do canal Hipócritas, relatou que a tornozeleira eletrônica que utiliza desde 2023 emitiu sinais sonoros constantes durante toda a permanência no hospital.
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Segundo a defesa, os alarmes despertaram o recém-nascido e incomodaram a mãe, que havia passado por cesariana. Em mensagem enviada a uma assistente social, Fugazza escreveu: “A tornozeleira está apitando, acordando meu filho recém-nascido a cada cinco, dez minutos”, relatou. “Vocês estão fazendo sofrer tanto meu filho, que nasceu há menos de 12 horas, quanto a minha esposa. Tortura. É isso que vocês estão fazendo.”
A ida ao hospital havia sido autorizada em despacho de 4 de agosto. Moraes permitiu que Fugazza acompanhasse o nascimento previsto para o dia 10 e permanecesse no local até a alta da mãe e do bebê. Apesar disso, a defesa relatou que o equipamento seguiu ativo. Em petição ao STF, os advogados afirmaram que, mesmo depois de comunicação telefônica, a central de monitoramento informou que “mesmo com a prévia e incontestável autorização judicial para deslocamento e extrapolação da área de abrangência do monitoramento eletrônico, o equipamento permanece ativo e supostamente estaria correta a emissão dos alertas de suposta violação”.
Defesa aciona Ministério Público
Na manifestação enviada ao Supremo, os advogados de Fugazza relataram “falha na conduta da Central de Monitoramento” e solicitaram a comunicação dos fatos ao Ministério Público de Santa Catarina “para fins de apuração de responsabilidade”. Também foi requerido o registro do atestado de comparecimento ao hospital e a notificação formal da unidade responsável pelo monitoramento.
No despacho de 25 de agosto, Moraes determinou que a Secretaria de Justiça e Reinserção Social de Santa Catarina preste esclarecimentos em até cinco dias sobre o caso e, posteriormente, encaminhou os autos à Procuradoria-Geral da República (PGR), também com prazo de cinco dias para manifestação.

Bismark cumpre medidas cautelares há dois anos
Desde junho de 2023, Fugazza cumpre liberdade provisória com uma série de restrições. Entre elas, estão o recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de sair do país, de utilizar redes sociais e de manter contato com outros investigados. Também teve suspensos documentos de porte de armas e certificados de registro para atividades de tiro e caça.
Fugazza foi preso em março de 2023, depois de ser localizado no Paraguai junto ao jornalista Oswaldo Eustáquio. Ele é investigado em processos ligados ao supostos atos golpistas em 2022 e citado na delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid como um dos influenciadores autorizados por Jair Bolsonaro a permanecer no Palácio da Alvorada no dia da diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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