Na sessão desta terça-feira, 2, na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Mauro Cid negou que houve coação da Polícia Federal (PF) durante as delações premiadas do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).
Os advogados Jair Alves e Cezar Bitencourt centraram-se na validade da suposta colaboração premiada de Cid, rechaçaram alegações de coação e pediram a confirmação integral dos benefícios pactuados.
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Jair Alves citou os áudios publicados pela revista Veja, cujos trechos mostravam críticas à condução de um delegado, mas não evidenciam qualquer pressão ilegal. Ressaltou que é legítimo questionar linhas investigativas, “concordando ou não com indiciamentos ou relatórios”, e elogiou a equipe da PF, a quem descreveu como ética e profissional.
Em um momento de desconforto, Alexandre de Moraes reagiu com uma careta quando o advogado mencionou que, nos áudios, falaram mal do ministro-relator. Houve risos no plenário quando Jair Alves comentou que Moraes “deveria estar acostumado” com as críticas negativas.
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Defesa de Cid cita atuação de Moraes na delação
Ainda em sua sustentação, Jair Alves frisou que discorda do pedido de condenação do procurador-gerald a República, Paulo Gonet, e voltou a insistir que “não houve coação de autoridades em nenhum momento”.
O advogado a audiência de novembro, última etapa formal da colaboração, na qual Moraes advertiu Cid sobre prisão em caso de mentira — para Jair, tratou-se de dever funcional do ministro, não de coação.

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O defensor ainda enfrentou boatos sobre a anulação do acordo por supostas mensagens entre Cid e o advogado Eduardo Kuntz (ligado a Marcelo Câmara). Ele disse que o próprio ex-ajudante de ordens pediu a perícia, que as mensagens “não são idôneas”, que Cid não usa a rede social atribuída aos prints e que não existe ata notarial comprovando a autenticidade: “O cartório certificou a inexistência”.
Inconsistências da delação
Sobre as inúmeras inconsistências da delação de Cid, Jair Alves alegou que tudo decorreu do suposto desconhecimento direto dos planos “Punhal Verde e Amarelo” e “Copa 2022”. Ele argumentou que o militar teria apenas recebidos em arquivos.
O advogado também explicou que os primeiros três dias do depoimento foram a base da delação e as demais oitivas ocorreram por convocações da PF para complementar informações.
O ministro Luiz Fux interveio para confirmar se a primeira oitiva fora de boa vontade e as demais por chamamentos, o que foi confirmado por Jair Alves. O magistrado sinalizou que, caso a delação não tivesse sustentação, a ação penal também perderia validade.
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