Lewandowski culpa armas liberadas por Bolsonaro pela morte de ex-delegado em SP

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, atribuiu nesta terça-feira (16) a morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes à proliferação de armas de uso restrito, resultado, segundo ele, de políticas de flexibilização adotadas nos últimos anos. Fontes foi executado a tiros em uma emboscada em Praia Grande, no litoral de São Paulo.




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Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro destacou que muitas dessas armas acabam nas mãos do crime organizado, apesar de estarem registradas por caçadores, atiradores esportivos e colecionadores, os chamados CACs. “No passado recente houve uma política de disseminação dessas armas sem controle. O atual governo tenta agora fazer esse controle”, afirmou.

Ruy Ferraz Fontes era considerado inimigo número um do Primeiro Comando da Capital (PCC) e já havia escapado de atentados. Em 2006, foi responsável por indiciar a cúpula da facção, incluindo o líder Marcola. Em 2019, determinou a transferência de presos do PCC para presídios federais. Desde então, vinha sendo alvo de ameaças e chegou a pedir proteção.

O assassinato ocorreu após o delegado deixar a Prefeitura de Praia Grande, onde atuava como secretário de Administração Pública. Ele foi perseguido por criminosos armados com fuzis, que dispararam após o carro de Fontes colidir e capotar. A Polícia Civil de São Paulo investiga se a ordem partiu da chamada “Sintonia Restrita” do PCC, grupo de elite responsável por execuções da facção.

Lewandowski afirmou que ofereceu apoio federal ao governo de São Paulo para as investigações. Segundo ele, o caso escancara o grau de violência que se espalha pelo país. “É um fenômeno que precisa de combate coordenado, nacional e internacional”, declarou.

O ministro também responsabilizou diretamente a política de armamento do governo Bolsonaro pela circulação descontrolada de armamentos de alto calibre no Brasil. “Essas armas, muitas vezes, estão nas mãos de pessoas de boa-fé. Mas acabam, na maior parte das vezes, nas mãos do crime organizado”, disse.

Ruy morreu aos 63 anos, após mais de quatro décadas dedicadas à segurança pública. A força-tarefa montada pela polícia paulista busca identificar e prender os autores da execução.



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