O bairro da Luz, na região central de São Paulo, não é mais o mesmo desde o começo de maio. Os usuários de drogas que se concentravam na Rua dos Protestantes, conhecida como cracolândia, não estão mais no local. As calçadas que antes serviam de abrigo para centenas de moradores de rua estão limpas, e os comerciantes conseguem trabalhar de portas abertas.


As notícias que mostram o esvaziamento da cracolândia dividem opiniões. Oeste conversou com pessoas que trabalham na região. Algumas dizem que agora se pode caminhar pelas ruas tranquilamente, sem medo de ser roubado.
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Outras dizem que os usuários de drogas se dispersaram pela cidade. O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, por sua vez, exaltou o trabalho que tem sido feito para acabar com o maior ponto de uso de drogas do Brasil.
O fim da cracolândia
Em entrevista ao Jornal da Oeste, Primeira Edição, desta segunda-feira, 29, o ex-comandante da Rota disse que o trabalho envolveu políticas públicas e várias secretarias da Prefeitura de São Paulo. O político paulistano exaltou a parceria com o governo do Estado, mas criticou a atuação do governo federal.
“Trabalhar com dependentes químicos é algo complexo”, afirmou Mello Araújo. “É uma questão que não envolve somente segurança pública. É mais complexo. Não podemos ter burocracias. O trabalho envolve as Secretarias de Saúde, de Segurança, de Assistência Social, de Zeladoria e Limpeza, de Habitação, de Direitos Humanos e do Trabalho.”
Ao Jornal da Oeste, o vice-prefeito da capital paulista contou que acompanhou o dia a dia da força-tarefa. “A Secretaria de Segurança conseguiu estrangular o tráfico na região”, afirmou. “Fechamos mais de 80 estabelecimentos, que vão desde pensões e motéis a ferro-velhos. Mas temos uma torneira que não fecha, que é a da droga.”
O problema do assistencialismo
O político paulistano criticou a falta de alinhamento com o governo federal, que, segundo ele, “não ajuda em nada, só atrapalha”. Para o vice-prefeito de São Paulo, o assistencialismo oferecido pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o Bolsa Família, por exemplo, prejudica o trabalho de políticas públicas para os dependentes químicos.
Mello Araújo explicou que grande parte dos usuários de drogas recebe o benefício e o gasta com entorpecentes. Questionado se o governo federal repassou o dinheiro do Plano Ruas Visíveis, o ex-comandante da Rota disse que desconhece o envio do recurso.


O Plano Ruas Visíveis foi anunciado como um marco no enfrentamento da miséria urbana. O programa previa cerca de R$ 1 bilhão em investimentos e a articulação de 11 ministérios em torno de sete eixos, que vão de assistência social e segurança alimentar a habitação, saúde, trabalho e renda.
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O objetivo era diminuir o número de moradores de rua. Contudo, desde o anúncio do plano, em dezembro de 2023, o número de pessoas em situação de rua dobrou no país.

