Prefeitura detalha plano para transformar Transcarioca e Transoeste em linhas de VLT

VLT no Centro do Rio de Janeiro – Foto: Daniel Martins / DIÁRIO DO RIO

A Comissão de Transportes da Câmara Municipal do Rio de Janeiro realizou, nesta quinta-feira (16), uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei Complementar nº 56/2025, que propõe transformar os corredores Transcarioca e Transoeste do sistema BRT em Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) ou tecnologia similar.

O encontro foi conduzido pelo vereador Marcelo Diniz (PSD), presidente da comissão, e contou com a presença dos vereadores Flávio Pato (PSD) e Poubel (PL), além de representantes da Secretaria Municipal de Transportes e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

A secretária de Transportes, Maína Celidonio, destacou que os estudos foram elaborados em parceria com o BNDES. “Os investimentos são mais altos, mas a qualidade é maior e perdura por mais tempo. A vida útil de um ônibus é menor que a de um trem”, afirmou. Segundo ela, a escolha dos dois corredores se deve à infraestrutura já existente. “Essas vias já possuem calhas e áreas desapropriadas, o que permite uma execução mais ágil.”

Maína explicou que Transcarioca e Transoeste foram selecionadas por serem corredores consolidados. “Só se sustenta uma conversão quando se conhece a dinâmica e a demanda. Temos dois corredores consolidados, o que nos dá tranquilidade técnica”, disse.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Carneiro, apresentou os impactos esperados. “Teremos mais previsibilidade, controle e menos acidentes, já que vamos tirar mais carros das ruas”, afirmou. Segundo ele, o projeto trará benefícios urbanos, ambientais e sociais, como redução de poluentes e geração de empregos.

Carneiro destacou também a alta demanda dos corredores. “Com um transporte de melhor qualidade e uma boa experiência para o cidadão, esperamos um aumento no número de usuários. Quando a população tem um bom serviço, ela o utiliza.” O secretário citou ainda a possibilidade de uso de Veículos Leves sobre Pneus (VLPs), tecnologia em estudo após visita a fábricas na China.

A Transcarioca possui terminais nos bairros Alvorada e Fundão, 45 estações e capacidade para até 16 mil passageiros por hora em cada sentido. Já a Transoeste liga Santa Cruz ao Jardim Oceânico, passando por 41 estações e com a mesma capacidade estimada.

Durante o debate, Osmar Carneiro também mencionou o projeto do VLT de São Cristóvão, com 5,2 km e cinco paradas. “Temos a vantagem de integrar o Pavilhão de São Cristóvão, a Quinta da Boa Vista e o Museu Nacional com o metrô, o trem e os ônibus”, explicou.

Nas perguntas do público, Helena Gouvêa, do gabinete do vereador Pedro Duarte (Novo), questionou a ausência dos corredores Transolímpica e Transbrasil no projeto. A secretária respondeu que a operação da Transolímpica ainda está em consolidação e que seria cedo para novas obras na Transbrasil, recém-inaugurada.

Maína também revelou uma possível parceria com a Light, para uso de subestações com sobra de energia. Já o representante do Conselho da Cidade, Atílio Moraes, criticou a proposta: “Nos últimos anos, vários projetos de mobilidade foram feitos sem resolver o problema. Estudos antigos já apontavam esses corredores como linhas de metrô. Falta visão sistêmica.”

O vice-presidente da comissão, Flávio Pato (PSD), avaliou a iniciativa como positiva. “A medida amplia a capacidade de deslocamento da população e reduz drasticamente a emissão de gases poluentes”, declarou.

Encerrando a audiência, o presidente Marcelo Diniz reforçou a importância do diálogo entre Legislativo e Executivo. “A Câmara e o governo tentam caminhar lado a lado para buscar o melhor para a cidade e para a população”, afirmou.

Também estiveram presentes os vereadores Rafael Aloisio Freitas (PSD), Márcio Ribeiro (PSD) e o subsecretário de Transportes, Guilherme Braga de Oliveira Alves.

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