‘Se mordendo de raiva’: militante exige que moradores de rua ganhem comida e roupa lavada em Itajaí

A Câmara de Vereadores de Itajaí foi palco de um debate acalorado sobre a situação dos moradores de rua. A audiência pública, realizada na quarta-feira (22), no plenário Arno Cugnier, reuniu autoridades municipais, forças de segurança e representantes da sociedade civil e terminou em embate entre uma militante, o vereador Victor Nascimento (PL) e o secretário de Segurança Pública, Ettore Stenghele.




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A militante, que discursou como voluntária em ações sociais, criticou duramente o fechamento do Centro Pop, estrutura municipal que oferecia alimentação, banho e lavanderia a pessoas em situação de rua. Em tom exaltado, ela afirmou que “repudia veementemente” o fechamento e as críticas ao serviço.

“Eu lido com seres humanos, não com números”, disse, pedindo que o espaço volte a oferecer café da manhã e roupas lavadas. Segundo ela, parte dos moradores de rua “não é dependente químico” e estaria sofrendo “violência física” durante abordagens da segurança pública.

O vereador Victor Nascimento, autor do requerimento que motivou a audiência, rebateu de forma direta.

“Senhora, a senhora pode repudiar, está no seu direito. Mas tenho certeza absoluta de que a senhora não quer um Centro Pop na frente da sua casa”, afirmou.

Ele defendeu o fechamento da unidade da Barra do Rio, alegando que o local “virou baderna” e que moradores reclamavam de furtos constantes.

“Eu vi com meus olhos: quatro pães com queijo e presunto, banana, maçã, café, suco, presto-barba, toalha limpa… O contribuinte tem dificuldade para sustentar a própria família e o poder público oferecendo isso todo dia. É um absurdo”, criticou.

O secretário Ettore Stenghele também se manifestou após a fala da militante. Segundo ele, as denúncias de agressões por parte da segurança pública precisam ser comprovadas.

“A senhora foi muito infeliz ao dizer que nossas abordagens quebram costelas e braços. Ou apresenta provas para que a corregedoria apure, ou estará incorrendo em comunicação falsa de crime”, advertiu.

O prefeito Robison Coelho e o vice-prefeito Rubens Angioletti participaram da audiência e destacaram que a prefeitura pretende lançar um concurso público para reforçar o efetivo da Guarda Municipal. Segundo Coelho, o objetivo é “ampliar a presença das forças de segurança” e “garantir abordagens mais eficientes e humanizadas”.

Durante o encontro, moradores, servidores e representantes de entidades também apresentaram sugestões e críticas, abordando temas como internação voluntária, acolhimento em comunidades terapêuticas e novas políticas públicas para reduzir a população em situação de rua.



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