Deputados divergem sobre megaoperação policial com mais de 60 mortos no RJ

Fogo em rua do Rio de Janeiro durante megaoperação policial em 28 de outubro de 2025 – Foto: Divulgação/PMERJ

A deputada Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), criticou a megaoperação policial contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV) realizada nesta terça-feira (28/10) na capital fluminense.

A parlamentar afirmou que a Comissão encaminhará, ainda nesta terça, ofícios ao Ministério Público e às polícias Civil e Militar cobrando explicações sobre as circunstâncias da ação, que resultou em mais de 60 pessoas mortas e é considerada a mais letal da história do RJ.

”Nenhuma política de segurança pode se sustentar sobre esse banho de sangue. Estamos diante de uma operação letal jamais vista. O Estado não pode continuar agindo como se houvesse pena de morte, nem que as favelas sejam território inimigo ou palco de espetáculo”, disse Dani.

A deputada também citou nominalmente o governador Cláudio Castro (PL), que, segundo ela, tomou a decisão de permitir a megaoperação de forma unilateral, isto é, sem aval do Governo Federal.

”É grave que Castro insista em atuar isoladamente, enquanto o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma ter atendido prontamente a todos os pedidos do Governo do Estado para o emprego da Força Nacional. O RJ precisa de cooperação entre esferas de governo, e não de disputas políticas em meio a uma tragédia dessa proporção. Segurança pública se faz com planejamento, inteligência e respeito à vida, não espetacularização de chacinas”, afirmou.

A Comissão reafirma seu compromisso com a vida e com os direitos humanos, exigindo transparência, responsabilização e investigação rigorosa de todos os fatos”, concluiu Dani.

Contraponto

Colega de plenário de Dani Monteiro, o também deputado Márcio Gualberto (PL), presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, por sua vez, defendeu a ação e criticou o posicionamento da Comissão de Direitos Humanos.

”A Comissão de Direitos Humanos da Alerj, na pessoa de sua presidente e de alguns membros, mais uma vez, optou por ficar ao lado dos narcoterroristas do CV. Até aí, nenhuma surpresa, pois tem sido uma constante dos narcomilitantes de esquerda defenderem aqueles que, recentemente, foram chamados de ‘vítimas’ pelo atual presidente da República [Luiz Inácio Lula da Silva]. Entretanto, como policial civil e presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, quero deixar claro que estou ao lado dos policiais e dos cidadãos de bem no nosso estado”, disse com exclusividade ao DIÁRIO DO RIO.

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