O striptease da esquerda – Diário do Rio de Janeiro

Foto: Renan Olaz/CMRJ

Um dia depois da grande operação do governo do Estado no Complexo do Alemão, enquanto estamos ouvindo as reações de praxe daqueles que protegem criminosos, recebo pelo WhatsApp do DIÁRIO DO RIO a seguinte e curiosa notícia: os corpos dos criminosos encontrados no matagal próximo à comunidade estavam apenas de roupa íntima, pois os moradores que os resgataram estavam retirando as roupas. A princípio, não entendi a motivação. Mas logo li adiante: eram roupas camufladas, ou mesmo que expressavam belicismo, veneração à morte e drogas.

Provavelmente, os moradores queriam apenas o impacto dos corpos dispostos na vila como civis, e não como paramilitares que realmente eram esses criminosos. Buscavam apenas o impacto dos 21 corpos da famosa chacina de Vigário Geral em 1993. E, curiosamente, pela primeira — e espero, última — vez, sou obrigado a citar Karl Marx, quando disse no 18 Brumário de Napoleão que “a história se repete: na primeira vez é tragédia, na segunda vez é farsa”. Sim: em Vigário Geral tivemos, infelizmente, uma tragédia, uma chacina de pessoas comprovadamente inocentes. Já no Alemão, em 2025, o que temos é uma farsa, uma tentativa de transformar narcoterroristas em “pobres meninos inocentes”.

Fica a pergunta: os moradores que procederam desse jeito tiveram a iniciativa por conta deles próprios ou foram orientados por algum especialista em comunicação política? Se a segunda tese estiver certa, fazemos uma ideia de para quem trabalha o consultor em comunicação que participou disso. Ou, pelo menos, a cor de sua bandeira — certamente, vermelha. Ações como essa têm um viés claramente pró-criminosos, com o intuito de vencer uma guerra de narrativas. Mas o que me espanta mesmo é a quantidade de iniciativas que, ao nobre pretexto de preservar os direitos humanos dos moradores de favelas, usam e abusam de restringir a ação policial. Quando o veículo blindado começou a ser usado pela PM, foi um partido de esquerda quem começou a campanha para que o mesmo fosse proibido.

Sim: na visão dos parlamentares da época (o ano era 2006) — entre eles, um que hoje é presidente de estatal — o Estado e os criminosos precisam se confrontar em “condições de igualdade”, como se estivessem disputando um jogo de futebol. Não entendem que as vidas em jogo são as de policiais que o Estado contratou, formou e treinou para a função de defender a sociedade. Acham que a morte de um policial e a de um criminoso têm alguma equivalência — um pensamento monstruoso, que leva a raciocínios canhestros (e canhotos) como o da apresentadora de notícias que reclamou, certa feita, de “terem morrido muitos bandidos e poucos policiais”. Sim, tivemos essa loucura sendo proferida em um canal de televisão sem que nenhum, absolutamente nenhum parlamentar de esquerda viesse pedir — com o dorso da mão na cintura — a “regulação das redes”. Se isso aí não é o verdadeiro discurso de ódio, eu não sei o que é.

Em setembro, tivemos a intenção da deputada Talíria Petrone (PSOL), que queria proibir por lei que policiais usassem helicópteros ou drones. São projetos que oscilam entre o ingênuo e o capcioso, entre o débil mental e o mal-intencionado. Por que um parlamentar se preocupa com o fato de a polícia usar recursos tecnológicos atuais e modernos, usados por absolutamente todas as polícias de Primeiro Mundo? E aí vem a realidade — esta coisa com a qual o psolista tem grandes problemas ao lidar — e dá a todos uma lição trágica: os vagabundos usaram drones para atacar os policiais, e não está descartada a hipótese de que uma das quatro vidas tenha sido ceifada com uso desse artefato.

No fim das contas, todos estes episódios são mais reveladores das verdadeiras intenções da esquerda do que o strip-tease tétrico feito pelos moradores nos narcoguerrilheiros mortos. Não é o rei que está nu: são os bobos.


As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.

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