Campagnolo culpa Bolsonaro por indicar Carlos ao Senado e isenta Jorginho: “indicaria dois catarinenses”

A entrevista concedida por Ana Campagnolo (PL-SC) a uma rádio catarinense foi o estopim da crise que abalou o Partido Liberal de Santa Catarina e resultou em uma troca de acusações públicas entre a deputada e Carlos Bolsonaro (PL-RJ). O conteúdo da fala, divulgado pelo Jornal Razão, revelou o posicionamento da parlamentar sobre a possível candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina — e provocou a reação imediata do vereador carioca nas redes sociais.




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Durante a entrevista, Campagnolo abordou com franqueza o desconforto gerado entre as bases da direita catarinense com a chegada de Carlos ao estado. Ela destacou que o incômodo não é pessoal, mas político, e que muitos veem a movimentação como um erro estratégico.

“Infelizmente, muitas pessoas interpretaram muito mal a vinda do Carlos para cá, por ele ser carioca, por ter, parece que teve 17 anos de mandato no Rio de Janeiro, e muitos entendem que ele deveria ser candidato, então, pelo Rio ou por outro estado onde o presidente Bolsonaro de fato precisa eleger senadores de direita.”, disse a deputada.

Campagnolo explicou que Santa Catarina já possui nomes consolidados da direita, com trajetória própria e reconhecimento do eleitorado. Entre eles, citou a colega de partido Caroline de Toni, a quem declarou abertamente seu apoio:

“Eu, particularmente, sou muito fã do trabalho da deputada Caroline de Toni. Acho que ela deve sim ser nossa senadora. Os prefeitos apoiam, vereadores apoiam. É uma mulher lúcida, dedicada, mãe de duas filhas, com talento, com trabalho político e história em Santa Catarina.”

A parlamentar afirmou que a entrada de Carlos Bolsonaro na disputa pode rifar um grande nome catarinense, prejudicando o fortalecimento local da direita.

“Muitos, assim como eu, que apoio a candidatura da deputada Carol, temem que a entrada de Carlos rife esse grande nome catarinense.”, disse.

Apesar das críticas, Campagnolo fez questão de isentar o governador Jorginho Mello (PL) de qualquer responsabilidade sobre o cenário.

“Eu entendo também o presidente Bolsonaro, que é o verdadeiro responsável pela indicação do Carlos, não é o governador Jorginho. Eu entendo que o governador Jorginho, com certeza, se dependesse apenas dele, iria indicar dois catarinenses.”, afirmou.

Ela destacou que o governador apenas atendeu a um pedido de lealdade do ex-presidente:

“É muito importante frisar que essa culpa da candidatura do Carlos não deve recair sobre o governador, que só está, na verdade, atendendo um pedido do presidente Bolsonaro, pela lealdade que o Jorginho tem naquilo que o presidente trouxe para dentro do PL.”

Na sequência da entrevista, Campagnolo também demonstrou empatia pelo ex-presidente, dizendo compreender a tentativa de proteger sua família diante do cenário político atual.

“O presidente Bolsonaro entende que seus filhos também correm perigo, que o Supremo Tribunal perseguirá não somente ele, mas toda a família. E, visando protegê-los, tenta estratégias para blindar sua família. É compreensível. Eu sou mãe, e acho que faria quase tudo pelas minhas filhas.”

A entrevista, publicada pelo Jornal Razão, rapidamente repercutiu nas redes sociais. Horas depois, Carlos Bolsonaro reagiu publicamente, chamando Ana de mentirosa:

“Não sejam mentirosos! Absolutamente nada do que essa menina está falando é verdade. Quanta baixaria! Lamentável!”, escreveu no X (antigo Twitter).

O tom agressivo irritou a deputada, que respondeu com firmeza:

“Você me desrespeita, me acusa de mentirosa e me ataca por dizer o que todos em Santa Catarina sabem que está acontecendo. Essa sua estratégia é ruim.”, rebateu.

Desde então, o caso gerou uma onda de manifestações dentro e fora do PL. Parte dos apoiadores de Campagnolo saiu em defesa da deputada, enquanto influenciadores próximos da família Bolsonaro criticaram sua postura. O episódio escancarou a divisão interna do bolsonarismo catarinense, que vive um embate entre lideranças locais e decisões políticas vindas de Brasília.

Nos bastidores, aliados do PL afirmam que o clima é de cautela. A direção estadual tenta evitar que a disputa pública entre dois dos principais nomes da direita acabe fragilizando o grupo em um dos redutos mais bolsonaristas do país.

Campagnolo, por sua vez, reafirma que segue leal ao ex-presidente, mas mantém sua posição:

“É compreensível o posicionamento do presidente, e também o dos catarinenses que apresentam resistência. Teremos que ver que caminhos o partido vai encontrar, mas a culpa dessa candidatura não é do governador.”

A entrevista, que começou como uma análise política, acabou se tornando o epicentro da crise que hoje divide o PL catarinense e expõe publicamente as fissuras dentro do núcleo bolsonarista em Santa Catarina.



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