Após megaoperação, maioria no Rio apoia enquadrar facções como terrorismo; só 23% são contra

Enterro do sargento da Polícia Militar, Heber Carvalho da Fonseca no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Cinco dias depois da megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos, a opinião pública no Rio de Janeiro ficou mais dura com o crime organizado. A Genial/Quaest divulgou nesta segunda (3.nov.2025) um retrato direto do humor do eleitor fluminense.

“72% defendem classificar facções criminosas como ‘terroristas’”Genial/Quaest. A rejeição a essa medida fica em 23%. 5% não souberam ou não responderam.

O estudo ouviu 1.500 entrevistados, de 16 anos ou mais, entre 30 e 31 de outubro, em todo o estado. A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Além disso, a maioria quer penas mais duras: “85% são a favor de aumentar a pena para condenados por homicídio a mando de organizações criminosas”Genial/Quaest. Já a ideia de “facilitar a compra ou o acesso a armas de fogo” tem apoio de 24%.

O recorte por posição política mostra diferenças relevantes. “Entre os que se dizem de direita não bolsonarista, o apoio ao enquadramento como terrorismo chega a 95%”Genial/Quaest. Entre bolsonaristas, 91%. Entre independentes, 74%. Entre lulistas, 49%. Na esquerda não lulista, 36%.

A percepção sobre poder e proteção política também aparece com força. “Para 82%, líderes de facções ajudam a eleger deputados e, por isso, dificilmente são presos”Genial/Quaest. E há uma leitura sobre a base econômica do crime: “80% afirmam que os responsáveis pelo poder das facções estão nos bairros ricos, não nas favelas”Genial/Quaest.

O levantamento cita o contexto da operação policial de 28 de outubro e ajuda a explicar o clima do debate público no estado, às vésperas dos grandes eventos de novembro e do calendário de fim de ano.

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