

Jogo de xadrez
O prefeito Eduardo Paes só pensa naquilo, ou seja, eleição. Nesta semana, fez uma jogada de enxadrista. Agendou encontros em Roma, na Itália, justamente nos três primeiros dias da COP 30 (Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas), em Belém. O evento vai dominar a pauta política e jornalística em terras tupiniquins.
Jogo de xadrez II
Com a viagem, evitou participar da abertura do encontro e de ter que opinar sobre meio ambiente, pauta antipática aos ouvidos da direita, com quem o pré-candidato a governador tenta acordo para embarcá-la em sua ampla aliança rumo ao Palácio Guanabara.
Jogo de xadrez III
O assunto na Itália não poderia ser outro: segurança, música aos ouvidos dos bolsonaristas fluminenses, principalmente após a megaoperação na Penha e no Complexo do Alemão. Essa aliança tornou-se prioritária para o alcaide. Sem ela, ele corre o risco de ver surgir um adversário que inviabilize sua vitória no primeiro turno.
Jogo de xadrez IV
A propósito, duas semanas já se passaram e não se sabe a opinião do candidato favorito ao governo do Estado sobre a megaoperação que deixou 121 mortos, sendo quatro policiais. Paes está como o personagem Joselino Barbacena, da Escolinha do Professor Raimundo, rezando para não ser achado e nem perguntado sobre o assunto.
Jogo de xadrez V
Do seu lado político, no entanto, o prefeito está feliz da vida. Ao contrário do governador Cláudio Castro, que se desentendeu com seu vice, Thiago Pampolha, e com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, Paes se deu ao luxo de levar com ele à Itália o seu vice, Eduardo Cavaliere, e o presidente da Câmara, Carlo Caiado.
Jogo de xadrez VI
Mesmo assim, embarcou tranquilo para a terra do Papa. Quem assumiu a cadeira do Palácio da Cidade foi o presidente do TCM, Luiz Antônio Guaraná, seu velho escudeiro desde os tempos da Subprefeitura da Barra, no início dos anos 90. Lá se vão 32 anos.
Bagagem invejável
Nos bastidores, o nome de Felipe Curi segue tirando o sono de quem achava que 2026 já estava no papo. Mas também, com um currículo desses…
Bagagem invejável II
Na Polícia Civil, atravessou governos, mas nunca trocou de lado: o da lei. Em uma década, Curi passou por todas as gestões, de Marcus Vinícius a Marcus Amin.
Bagagem invejável III
Com pulso firme, comandou a Baixada Fluminense, o Departamento de Homicídios e a Polícia Especializada. Foi subsecretário de Planejamento, assessor direto do secretário… Quer mais?
Bagagem invejável IV
“Meu padrinho sempre foi o trabalho”, costuma dizer. E talvez aí esteja o incômodo.
Bagagem invejável V
Enquanto alguns se dedicam a fabricar narrativas e minar uma possível candidatura, o recado, nos corredores, é: estão perdendo tempo.
Abalou Bangu
O caso do Bangu Shopping está abalando um pouco o clima na Câmara de Vereadores do Rio. Explico: nos últimos dias, Eduardo Paes assinou um decreto que impede construções no entorno do Bangu Shopping. A decisão do prefeito agradou um vereador e desagradou alguns outros.
Abalou Bangu II
O agradado foi Felipe Pires (PT). A retirada do entorno do Bangu Shopping do projeto da Mais Valia foi um pedido dele ao prefeito. Paes o agraciou tanto que fez até um vídeo assinando o decreto de proteção e enviou para o petista postar nas redes sociais. E ele postou.
Abalou Bangu III
Felipe Pires é líder da bancada do PT na Câmara e fiel escudeiro do governo Paes. Em 30 de outubro, dia da primeira votação do PL da Mais Valia, Felipe apresentou uma emenda excluindo o entorno do Bangu Shopping desse projeto de lei – que partiu do Poder Executivo. A emenda não foi aceita, mas Pires conseguiu mesmo assim excluir a área porque contou com a camaradagem do prefeito, que resolveu proteger o espaço por decreto.
Abalou Bangu IV
Tem gente na Câmara avaliando a situação como um golpe de mestre de Felipe Pires, porque ele provou que tem moral com o prefeito e mostrou que consegue defender os eleitores de Bangu que votaram nele.
Abalou Bangu V
E quem foram os desagradados nessa história? Vereadores totalmente favoráveis ao PL da Mais Valia e com base eleitoral em Bangu e adjacências.
