

A Receita Federal identificou fortes indícios de fraude fiscal em empresas de proteção veicular investigadas pela CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A avaliação foi feita durante reunião realizada nesta segunda-feira (17), quando representantes do órgão participaram dos trabalhos do colegiado para analisar supostas irregularidades tributárias no setor.
Receita amplia investigação sobre o setor
De acordo com Mônica Barreto, representante da Superintendência Regional da Receita Federal, o material reunido pela CPI aponta possíveis práticas de sonegação envolvendo empresas que atuam como seguradoras, mas sem cumprir as exigências tributárias do segmento.
“Se essas entidades atuam como seguradoras, precisam pagar os tributos federais e municipais aplicados ao setor. Vamos solicitar vistas às informações levantadas pela comissão, estudar esse material e encaminhar à área responsável pela análise dos indícios”, afirmou.
O presidente da CPI, deputado Alexandre Knoploch (PL), destacou que o envolvimento da Receita é essencial para aprofundar as investigações. Segundo ele, os dados preliminares sugerem que a sonegação pode chegar à casa de R$ 1 bilhão.
“Se 20% disso deveria ser tributo, estamos falando de cerca de R$ 200 milhões. É um volume muito significativo, que precisa ser esclarecido”, disse Knoploch.
Deputados apontam uso de “laranjas” e inconsistências em versões das empresas
O deputado Alan Lopes (PL) classificou como grave o conjunto de irregularidades atribuídas às empresas do setor e contestou a justificativa apresentada por representantes das companhias, que atribuíram inconsistências a supostas falhas bancárias.
“Essa justificativa não se sustenta. Já há indícios de fraude tributária, uso de familiares como laranjas e conexões com grupos que atuam na recuperação de veículos — afirmou o parlamentar.
A representante da Receita Federal reforçou a confiabilidade das informações financeiras utilizadas na investigação:
“Toda movimentação bancária que chega à Receita vem formalmente pelos próprios bancos. Em princípio, está tudo correto, são informações oficiais”, ressaltou Mônica Barreto.
Ligações societárias levam a novas convocações
Durante a reunião, o colegiado também ouviu Alex Cordeiro, presidente da empresa Gênesis, que atua há 12 anos no setor e apresentou relatório de arrecadação de cerca de R$ 30 milhões entre janeiro e outubro deste ano.
Ao examinar a estrutura societária da empresa, os deputados identificaram participação do sócio Alexandre Detone, proprietário da Adm Tracker, responsável por aproximadamente 15% do faturamento da Gênesis, cerca de R$ 500 mil mensais. Detone também mantém outras sociedades com Cordeiro, incluindo uma sorveteria. Diante das ligações, a CPI deliberou pela convocação de Detone para prestar depoimento.
Operação da CPI encontra desmanche ligado ao crime organizado
Na última sexta-feira (14), integrantes da CPI realizaram uma fiscalização em um galpão em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que estaria sendo usado para o desmanche de veículos roubados. No local, os parlamentares encontraram um homem com a chave do pátio, que foi encaminhado à Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis. O espaço acabou lacrado e o material apreendido será periciado.
Knoploch afirmou que o caso reforça a estrutura do crime organizado ligada ao roubo e desmanche de carros no estado. “Encontramos peças novas, carros inteiros reduzidos a fragmentos e placas adulteradas. A cadeia é sempre a mesma: roubo, desmanche, receptação e venda em plataformas gigantes”,disse o deputado.
O vice-presidente da CPI, Marcelo Dino (União), relatou que o cenário encontrado pelos parlamentares evidencia o grau de violência do esquema.
“Havia carros com manchas de sangue, peças sem identificação e vidros quebrados. Esse sistema criminoso vem assolando o estado. Vamos continuar com essas ações até chegarmos a todos os responsáveis”, finalizou.
