Com 13,6 mil bloqueios mapeados, Câmara do Rio discute nesta terça protocolo para remoção de barricadas

Pessoas passam em moto na praça da Vila Cruzeiro ao lado de barricadas que foram colocadas para conter avanço de policiais – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um projeto de lei que estabelece diretrizes para a retirada de barricadas e outros bloqueios irregulares nas ruas do Rio será protocolado nesta terça-feira (18) na Câmara Municipal. A proposta, do vereador Pedro Duarte (Novo), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, cria o Protocolo Municipal de Desobstrução e Restabelecimento de Vias Públicas, que padroniza a atuação da prefeitura em ações desse tipo e organiza a integração entre diferentes órgãos públicos.

A iniciativa chega em meio ao avanço da operação Barricada Zero, conduzida pelo governo estadual com o apoio de prefeituras da Região Metropolitana para enfrentar as mais de 13,6 mil barreiras mapeadas em áreas dominadas pelo crime organizado. Embora não seja vinculada ao Executivo estadual, o texto dialoga com o esforço regional e busca formalizar um canal permanente de cooperação entre a prefeitura e as forças de segurança — algo que, segundo a justificativa do PL, ainda não ocorre de forma estruturada.

O protocolo previsto no projeto divide a atuação municipal em quatro fases. A Fase 1 prevê que as forças estaduais garantam a segurança da área antes da entrada das equipes municipais. Na Fase 2, ocorre a desobstrução física, com remoção de obstáculos, demolição de estruturas irregulares e retirada de entulho e veículos abandonados. A Fase 3 envolve o restabelecimento da infraestrutura, como pavimentação, calçadas, drenagem, iluminação e sinalização. Já a Fase 4 estabelece ações permanentes de ordenamento e fiscalização para impedir que as barricadas sejam reinstaladas.

“Em áreas dominadas pelo crime organizado, o protagonismo é do Estado, com suas forças de segurança. Mas a prefeitura precisa agir logo em seguida, removendo barreiras e recuperando o espaço público. Para isso, a coordenação é fundamental”, afirma Pedro Duarte.

O vereador ressaltou ainda que o PL se apoia nas competências municipais previstas na Constituição e no Estatuto da Cidade, que atribuem ao município a responsabilidade pelo ordenamento territorial e pela regularidade do espaço urbano.

A discussão ocorre em um cenário de crescimento das denúncias. Dados do Disque Denúncia mostram aumento de 65% nos registros de barricadas na última década, somando mais de 91 mil notificações. A capital responde por 32% de todas as queixas do estado, enquanto Rio, São Gonçalo, São João de Meriti, Duque de Caxias e Belford Roxo concentram 85% dos relatos.

Levantamento do governo estadual aponta 13.604 barricadas identificadas apenas este ano. Entre janeiro e outubro, a Polícia Militar recolheu 6,7 toneladas de materiais usados para bloquear vias, distribuídos por 3,7 mil pontos.

A proposta começa a tramitar na Câmara no momento em que o governo estadual finaliza um plano metropolitano de enfrentamento, com foco nos municípios que concentram o maior número de denúncias — entre eles, Rio, Belford Roxo, Japeri, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

O projeto será analisado pelas comissões de Assuntos Urbanos, Justiça e Administração Pública. Após os pareceres, pode seguir para votação em plenário. Se aprovado, caberá ao Executivo regulamentar o protocolo.

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