Prisão de dono do Banco Master acende alerta no Rioprevidência, que investiu R$ 1 bilhão na instituição

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A prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (18/nov), acendeu a luz amarela no Rioprevidência, responsável pela gestão dos recursos que pagam aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores públicos estaduais. Vorcaro foi detido em São Paulo, como revelou o colunista Lauro Jardim, de O Globo. Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores.

O movimento aumenta a pressão sobre a autarquia fluminense, que nos últimos meses aplicou cerca de R$ 1 bilhão em investimentos ligados ao Master, aportes realizados mesmo diante de alertas formais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e já em meio à crise que atingia o banco.

TCE proibiu novos investimentos após identificar riscos

A desconfiança sobre a segurança das operações não começou agora. Em outubro, o TCE determinou que o governo estadual interrompesse imediatamente novos investimentos em fundos administrados pelo Banco Master. Para o tribunal, tratava-se de uma “gestão irresponsável” dos recursos previdenciários do estado.

O Banco Master já estava sob investigação da Polícia Federal por suspeita de crimes contra o sistema financeiro, incluindo gestão fraudulenta. A instituição havia sido descredenciada para atuar em operações de crédito consignado do INSS. Parlamentares da Alerj também haviam levantado preocupação sobre o que classificaram como “gestão temerária” dos recursos do fundo.

Exposição bilionária aos produtos do banco

O TCE considera especialmente grave o volume de recursos aplicados. O fundo, abastecido por contribuições dos servidores e royalties do petróleo, chegou a ter exposição de aproximadamente R$ 2,6 bilhões a produtos emitidos ou administrados pelo Master, o equivalente a 25% de todo o patrimônio aplicado pelo Rioprevidência.

Em maio, o tribunal já havia solicitado esclarecimentos. A partir de então, afirma que o cenário de inconsistências só se agravou. Em julho, identificou-se que uma parte expressiva dos recursos estava alocada em instrumentos financeiros ligados ao banco, contrariando os princípios de segurança, prudência e diversificação previstos na legislação.

Rentabilidade abaixo da poupança e operações sem transparência

Um dos casos considerados mais críticos pelo corpo técnico do TCE é o aporte superior a R$ 1 bilhão no Arena Fundo de Investimento, administrado por uma corretora do grupo Master. O fundo foi criado em 18 de dezembro de 2024 e, já no dia seguinte, recebeu o primeiro aporte do Rioprevidência, de R$ 50 milhões. Desde então, a autarquia tornou-se a única cotista, realizando aportes sucessivos.

Segundo o tribunal, a rentabilidade média do Arena fica abaixo da poupança o que, para os técnicos, evidencia ausência de vantagem financeira e possível negligência na análise prévia das operações.

Outras movimentações reforçaram a percepção de má gestão. Em contratos de letras financeiras, foram identificados aportes superiores a R$ 300 milhões sem informações detalhadas sobre a operação. Em outro caso, um investimento de R$ 100 milhões, realizado em junho, sofreu desvalorização de 25% em apenas um mês, chegando a R$ 75 milhões.

TCE aciona governo do estado e Ministério Público

Diante da deterioração do cenário e do risco direto para aposentados e pensionistas, o TCE comunicou o governador Cláudio Castro (PL) e o Ministério Público do Estado do Rio para que adotassem providências urgentes.

A corte de contas voltou a afirmar que o padrão das aplicações fere princípios básicos de segurança financeira e recomendou a revisão dos investimentos e da política de alocação de recursos do Rioprevidência.

Rioprevidência nega irregularidades e diz que operação é “regular e adimplente”

Em nota, o Rioprevidência contestou as conclusões do tribunal. A autarquia afirmou que não realizou qualquer novo aporte no Banco Master após o início do processo no TCE. Declarou ainda que a decisão do órgão de controle foi divulgada antes de ter sido oportunizada a apresentação de esclarecimentos técnicos.

O fundo também rebateu o valor divulgado pelo TCE: segundo o Rioprevidência, os investimentos somam cerca de R$ 960 milhões — e não R$ 2,6 bilhões — e permanecem “regulares e adimplentes”. O Banco Master, em liquidação extrajudicial, não se pronunciou.

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