

Um Sinal Amarelo no Palácio da Cidade
Nos últimos meses, multiplicaram-se as notícias de que o presidente Lula contaria com o apoio do prefeito Eduardo Paes para sua campanha de reeleição em 2026. Paes, como sempre, tem exibido sua conhecida habilidade política para estar ao lado do governo federal, fazendo declarações públicas de admiração, parceria e “harmonia institucional”.
Mas eis que surge, no dia 3 de dezembro de 2025, uma entrevista do vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) ao jornal O Globo, em que ele parte para críticas diretas e duras à política de segurança do governo federal. Segundo Cavaliere, o governo Lula estaria preso a um “lero-lero ultrapassado”, e a segurança pública do país só avançaria se abandonasse velhas práticas e rompesse com a atual condução federal.
Ora… pera lá.
Se o prefeito Eduardo Paes fechou alianças recentes com Lula, aparece sorridente em Brasília e jura fidelidade política aos quatro ventos… por que seu vice decide bater justamente no governo que Paes diz apoiar?
A pergunta é inevitável:
Cavaliere falou por si — ou falou por Paes?
As Críticas do Vice — Coincidência ou Estratégia?
Na entrevista, Cavaliere não economiza palavras: diz que a política federal de segurança é atrasada, faz ironias com o PT, ataca a condução do Planalto e tenta se posicionar como “renovador”, num discurso nítido de pré-campanha para 2026.
Mas o curioso é o “silêncio eloquente” do prefeito.
Paes jamais teve coragem de externalizar, com tamanha contundência, as críticas ao presidente Lula que agora são vocalizadas pelo seu próprio vice.
Pelo contrário: ficou quietinho.
E silêncio, na política, raramente é acaso.
Por isso, a dúvida cresce:
Se Paes realmente pretende estar com Lula em 2026, como é possível que seu número dois ataque justamente a área mais sensível para o governo federal — a segurança pública?
Seria Cavaliere um porta-voz informal do prefeito?
Um recado velado?
Uma tentativa de construir distância para ampliar apoios no eleitorado conservador?
Ou Paes está tentando fazer o habitual jogo duplo — elogia em público e critica por procurador interposto?
A resposta ainda não está dada.
Mas a incoerência está registrada em papel jornal.
E os vereadores do PT? Vão engolir calados?
Essa é outra questão que precisa ser feita.
Os vereadores do PT na Câmara do Rio têm ajudado Paes a aprovar todas as maldades contra os servidores municipais, votam alinhados, silenciam diante de abusos administrativos e, muitas vezes, agem como extensão automática do Palácio da Cidade.
E agora?
O vice-prefeito do próprio Paes, aliado histórico e peça central do bloco de poder municipal, aparece detonando o governo federal — justamente o governo que esses vereadores defendem.
A pergunta é direta:
Será que os vereadores do PT vão responder ao vice-prefeito?
Ou ficarão caladinhos para não desagradar o prefeito que tanto protegem?
Se ficarem calados, ficará evidente:
Não é coerência ideológica.
Não é princípio político.
É apenas submissão ao Paes.
Um Prefeito, Dois Discursos?
O Rio Merece Transparência — Não Fumaça Eleitoral
O episódio revela algo preocupante:
Enquanto Eduardo Paes distribui acenos carinhosos a Lula, seu vice dispara rajadas de críticas contra o governo federal. E Paes… silencia.
E aí entra a pergunta que falta — aquela que todo leitor atento, todo servidor municipal e todo vereador deveria fazer:
Será que Eduardo Paes vai continuar calado diante das críticas severas do seu próprio vice ao presidente que ele jura apoiar?
Será que Paes concorda em silêncio?
Ou será que Cavaliere falou aquilo que o prefeito não tem coragem de dizer publicamente?
Quando o comando político não é claro, a cidade paga o preço.
Quando a estratégia é dupla, quem perde é o eleitor.
Quando o vice ataca e o prefeito finge que não viu, a mensagem não é de liderança — é de conveniência.
E, no fim, fica a provocação final:
Se Paes realmente apoia Lula, por que Cavaliere fala o contrário?
E se Cavaliere fala por Paes, por que o prefeito não assume?
A política carioca merece respostas.
E, principalmente, merece respeito — não manobras silenciosas.
As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.
