Após se posicionar publicamente contra o fim das cotas raciais para negros e indígenas nas universidades de Santa Catarina, a secretária de Estado da Educação, Luciane Ceretta, passou a receber apoio explícito de setores da esquerda catarinense, especialmente de lideranças ligadas ao PSOL.
Clique e receba notícias do Jornal Razão em seu WhatsApp: Entrar no grupo
A reação ocorreu depois da aprovação, pela Assembleia Legislativa, do projeto que proíbe cotas raciais em universidades estaduais e em instituições que recebem recursos do Estado, mantendo apenas critérios socioeconômicos, para Pessoas com Deficiência e egressos de escolas públicas. A proposta segue para sanção do governador Jorginho Mello (PL).
Logo após a entrevista concedida por Ceretta à Rádio Som Maior, de Criciúma, em que afirmou que Santa Catarina tem uma “dívida histórica” com a população negra, parda e indígena, parlamentares e militantes de esquerda passaram a defender publicamente a permanência da secretária no cargo, elogiando sua ‘competência’.
Um dos apoios mais destacados veio do vereador Leonel Camasão (PSOL), de Florianópolis. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar classificou Ceretta como “pessoa competente” e afirmou que a secretária não deveria ser punida por se posicionar contra o fim das cotas raciais. No mesmo texto, Camasão também fez críticas diretas ao governo estadual e ao projeto aprovado pela Alesc, pedindo veto do governador.
Curiosamente, Camasão é um dos principais críticos do programa Universidade Gratuita, política criada pelo Governo de Santa Catarina para custear vagas no ensino superior e que teve articulação direta de Luciane Ceretta.
Nas redes sociais, o vereador já classificou o Universidade Gratuita como um programa “problemático”, questionou o volume de recursos destinados a instituições comunitárias e privadas e defendeu, em diversas ocasiões, a ampliação da Udesc como alternativa. Levantamentos e críticas feitos por Camasão ao longo dos últimos anos apontam supostas irregularidades e distorções no programa, que hoje é uma das principais bandeiras do governo Jorginho Mello na área da educação.
Enquanto o vereador esquerdista sai em defesa de Ceretta por sua posição contrária ao fim das cotas raciais, ele próprio mantém uma postura crítica em relação a um dos principais programas educacionais associados à trajetória da própria secretária no governo catarinense.
Além de Camasão, outros militantes e perfis ligados à esquerda também reagiram à fala de Ceretta, defendendo sua permanência no cargo e reforçando o discurso de que as cotas raciais seriam necessárias para corrigir desigualdades históricas. Em contrapartida, apoiadores do projeto aprovado na Alesc sustentam que a política de inclusão deve se basear exclusivamente em critérios econômicos e acusam a esquerda de usar o tema como bandeira ideológica.
A posição pública da secretária acabou ampliando a tensão política em torno do tema. Embora faça parte do primeiro escalão do governo estadual, Ceretta adotou um discurso que diverge do entendimento majoritário da base governista na Assembleia Legislativa, responsável pela aprovação do projeto que extingue as cotas raciais.
Até o momento, o governador Jorginho Mello não se manifestou oficialmente sobre a possibilidade de veto. Enquanto isso, o debate segue intenso nas redes sociais, no meio político e entre setores da educação, com a discussão sobre cotas raciais se consolidando como um dos temas mais polarizados do fim do ano em Santa Catarina.
