Nas mãos do STF, o futuro político de Washington Reis e o desenho da chapa governista para as eleições de outubro

O Supremo Tribunal Federal (STF) decide, nesta quarta-feira (11), não só futuro político do ex-prefeito, ex-secretário de Transportes e ex-deputado federal Washington Reis. O veredito sobre a inelegibilidade do cacique do MDB e imperador da Baixada Fluminense pode sacudir a movimentação dos partidos da base do governador Cláudio Castro (PL) para as eleições de outubro.

Os ministros retomam o julgamento que pode manter ou reverter a inelegibilidade de Washington imposta em dezembro de 2016, com a condenação por crime ambiental.

Até o momento, o placar é de 3 a 1 pela condenação. Votaram pela manutenção da sentença o relator, Flávio Dino, acompanhado por Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

André Mendonça divergiu parcialmente, e o julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. Em despacho de junho do ano passado, o decano indicou a possibilidade de um acordo de não persecução penal com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o que pode converter a condenação em reparação de dano ambiental.

Aí está o pulo do gato: se a sugestão de Gilmar for aceita pelos demais ministros, a condenação é mantida, mas muda a pena.

E cai a inelegibilidade.

Washington Reis chegou a apostar na absolvição quatro anos atrás, sem sucesso

Trata-se da última cartada de Reis — que já se coloca como pré-candidato ao Palácio Guanabara, embora muitos apostem que ele esteja de olho mesmo no Senado.

Em 2022, ele chegou a ser escolhido vice do governador Cláudio Castro (PL) e, mesmo condenado, levou a pré-candidatura até o último minuto. Só bem perto do fim do prazo dado pela Justiça Eleitoral, ele concluiu que não conseguiria a absolvição e abriu mão de integrar a chapa governista.

Thiago Pampolha acabou entrando em seu lugar.

O crime foi autorizar a construção de loteamento em área de proteção ambiental

Washington foi condenado a sete anos, dois meses e 15 dias de reclusão por autorizar a construção de um loteamento irregular em área de proteção ambiental próxima à Reserva Biológica do Tinguá, durante seu primeiro mandato como prefeito.

O emedebista recorreu da decisão e nunca chegou a cumprir pena.

O STF analisa agora os embargos infringentes apresentados pela defesa — que são considerados o último recurso possível, mas que não mudam a decisão sobre o mérito.

A única chance de Washington é mudar a pena — e, com isso, escapar da inelegibilidade.



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