Talita Galhardo contesta paternidade de Marcelo Diniz e diz ser a verdadeira mãe da obra

Os badalados quiosques da Gardênia Azul vão ter que passar por um teste de DNA na Câmara do Rio para descobrir quem são os verdadeiros pais da obra. Depois de o vereador Marcelo Diniz (PSD) assumir a paternidade da entrega dos 100 espaços na Avenida Isabel Domingues, Talita Galhardo (PSDB) subiu ao plenário, nesta terça-feira (17), para reivindicar a maternidade do projeto.

Segundo a tucana, a ideia surgiu em 2021, quando ela era subprefeita de Jacarepaguá. A iniciativa teria sido discutida em reunião com o prefeito Eduardo Paes (PSD), o presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), e o próprio Diniz — que, até então, vinha afirmando ter levado a proposta durante esse encontro.

“O vereador [Diniz] falou que foi ele quem conseguiu. Não. Nas imagens do Instagram do vereador, aparece que eu estou nas reuniões junto com eles. Esse projeto, no valor de R$ 3,2 milhões, foi o primeiro que apresentei ao prefeito, e ele autorizou que a obra fosse feita”, afirmou.

‘Nenhum vereador apareceu para fiscalizar’

Talita afirmou ainda que Paes, ao apresentar a obra dos primeiros 50 quiosques na Gardênia, em 2022, prestigiou apenas Diniz e o então vereador Waldir Brazão, sem citá-la como uma das responsáveis. Segundo ela, no entanto, nenhum parlamentar acompanhou a execução do projeto naquele período.

“Eu acompanhei a obra. A obra tinha problemas de execução, e eu ia lá cobrar. Eu enchia o saco porque era subprefeita e responsável pela região. Nunca nenhum vereador apareceu para fiscalizar e acompanhar aquela obra, que durou mais de um ano”, destacou.

Talita questiona critérios para entrega de quiosques na Gardênia Azul

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Renan Olaz/CMRJ

A vereadora também relembrou um episódio de 2023, durante o anúncio dos outros 50 quiosques, quando deixou o cargo de subprefeita após ser destratada por Paes no local. Ela criticou os critérios de distribuição e disse ter identificado familiares na lista indicada por Diniz para ocupar os espaços.

“Eu faço questão de que todos — Polícia Civil e Ministério Público — verifiquem os critérios que a prefeitura usou e se foram os mesmos adotados por mim naquela época. Quem não deve não teme. O justo não se justifica. Quero saber agora sobre os outros 50 quiosques”, concluiu Talita, que apresentou um requerimento de informações à prefeitura.

Os quiosques da Gardênia Azul, filhos de muitos pais, voltaram ao centro do debate político carioca, especialmente após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) na última semana. De acordo com a Polícia Civil, ele teria negociado os espaços com traficantes em troca de apoio para sua campanha de 2024. O parlamentar nega as acusações.

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