O Banco Central (BC) e o Federal Reserve (FED), autoridade monetária dos Estados Unidos, vão decidir nesta quarta-feira (18/3) o patamar da taxa de juros dos países, que está em 15% ao ano no Brasil e de 3,50% a 3,75% ao ano nos EUA.
O mercado financeiro espera que as autoridades monetárias dos dois países cortem, ao menos, 0,25 ponto percentual na taxa de juros. No entanto, os recentes conflitos no Oriente Médio deixam dúvidas sobre a flexibilização monetária.
Além disso, pode acontecer de o resultado não ser uma decisão unânime em ambos os casos, com diretores mais conservadores com relação ao cenário internacional.
Cenário brasileiro
No caso do Brasil, o mercado financeiro estava projetando uma queda de 0,5 ponto percentual. No entanto, o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã deve influenciar a inflação brasileira e aumentar os riscos no cenário externo, o que muda a expectativa dos especialistas.
Agora, grande parte do mercado espera por uma redução de 0,25 p.p. No entanto, alguns economistas projetam a manutenção da taxa de juros em 15% ao ano.
Isso porque, segundo especialistas, não faz sentido iniciar o ciclo de flexibilização monetária neste momento para interromper na próxima reunião. Já que a inflação do mês de março deve ter alta considerável, puxada pelo preço dos combustíveis.
A comunicação do BC já havia sinalizado uma diminuição dos juros, mas deixou claro que iria continuar vigilante sobre o cenário econômico nacional e internacional. A autoridade monetária tem mostrado cautela com a política monetária e compromisso em levar a inflação para a meta, que é de 3% com intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No último comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por decidir os juros, antecipou a flexibilização do juros.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o texto.
Segundo projeções do C6 Bank, o Comitê deve justificar o início gradual de redução da taxa de juros diante do ambiente de inflação corrente menor e transmissão da política monetária mais evidentes. No entanto, o cenário marcado por desancoragem das expectativas de inflação, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho exige ainda uma política monetária contracionista.
“A possibilidade de uma alta permanente nos preços do petróleo, diante da tensão no Oriente Médio, reforça a necessidade de cautela na condução dos juros, o que sugere uma postura mais gradual até que a incerteza seja dissipada”, afirma a instituição.
Já o ASA investimentos afirma que o inicio da flexibilização deverá ser mais cautelosa. De acordo com a instituição, ainda que o BC tenda a olhar para a curva da commodity e não apenas para o spot, a elevação recente dos preços amplia os riscos para a inflação doméstica, tanto de forma direta, via combustíveis, quanto indireta, por eventuais efeitos secundários sobre expectativas e preços administrados.
“A tendência, portanto, é de uma comunicação mais cautelosa, com ênfase maior em dependência de dados e na necessidade de acompanhar os desdobramentos do cenário externo antes de acelerar o ritmo de cortes”, apontou.
Entenda os juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação;
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores;
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC;
- A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 28 e 29 de abril.
Cenário internacional
Os Estados Unidos atacaram o Irã no fim de fevereiro, o que desencadeou uma crise com impacto direto no mercado global de energia. Em resposta, o Irã passou a restringir o tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Com a redução drástica na circulação de navios e ataques a embarcações na região, o fluxo de petróleo foi comprometido, elevando a percepção de risco no mercado internacional.
O resultado foi uma disparada nos preços do barril, impulsionada pelo t
emor de interrupções prolongadas no abastecimento global. O Estreito de Ormuz é considerado o principal ponto de estrangulamento do petróleo no mundo, sem rotas alternativas viáveis para escoamento em larga escala.
A crise também ampliou a instabilidade geopolítica na região, atingi
ndo não apenas o Irã, mas outros grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Catar, o que aumenta o risco de um choque mais amplo no mercado de energia.
O Banco Central (BC) e o Federal Reserve (FED), autoridade monetária dos Estados Unidos, vão decidir nesta quarta-feira (18/3) o patamar da taxa de juros dos países, que está em 15% ao ano no Brasil e de 3,50% a 3,75% ao ano nos EUA.
O mercado financeiro espera que as autoridades monetárias dos dois países cortem, ao menos, 0,25 ponto percentual na taxa de juros. No entanto, os recentes conflitos no Oriente Médio deixam dúvidas sobre a flexibilização monetária.
Além disso, pode acontecer de o resultado não ser uma decisão unânime em ambos os casos, com diretores mais conservadores com relação ao cenário internacional.
Cenário brasileiro
No caso do Brasil, o mercado financeiro estava projetando uma queda de 0,5 ponto percentual. No entanto, o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã deve influenciar a inflação brasileira e aumentar os riscos no cenário externo, o que muda a expectativa dos especialistas.
Agora, grande parte do mercado espera por uma redução de 0,25 p.p. No entanto, alguns economistas projetam a manutenção da taxa de juros em 15% ao ano.
Isso porque, segundo especialistas, não faz sentido iniciar o ciclo de flexibilização monetária neste momento para interromper na próxima reunião. Já que a inflação do mês de março deve ter alta considerável, puxada pelo preço dos combustíveis.
A comunicação do BC já havia sinalizado uma diminuição dos juros, mas deixou claro que iria continuar vigilante sobre o cenário econômico nacional e internacional. A autoridade monetária tem mostrado cautela com a política monetária e compromisso em levar a inflação para a meta, que é de 3% com intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No último comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por decidir os juros, antecipou a flexibilização do juros.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o texto.
Segundo projeções do C6 Bank, o Comitê deve justificar o início gradual de redução da taxa de juros diante do ambiente de inflação corrente menor e transmissão da política monetária mais evidentes. No entanto, o cenário marcado por desancoragem das expectativas de inflação, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho exige ainda uma política monetária contracionista.
“A possibilidade de uma alta permanente nos preços do petróleo, diante da tensão no Oriente Médio, reforça a necessidade de cautela na condução dos juros, o que sugere uma postura mais gradual até que a incerteza seja dissipada”, afirma a instituição.
Já o ASA investimentos afirma que o inicio da flexibilização deverá ser mais cautelosa. De acordo com a instituição, ainda que o BC tenda a olhar para a curva da commodity e não apenas para o spot, a elevação recente dos preços amplia os riscos para a inflação doméstica, tanto de forma direta, via combustíveis, quanto indireta, por eventuais efeitos secundários sobre expectativas e preços administrados.
“A tendência, portanto, é de uma comunicação mais cautelosa, com ênfase maior em dependência de dados e na necessidade de acompanhar os desdobramentos do cenário externo antes de acelerar o ritmo de cortes”, apontou.
Entenda os juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação;
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores;
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC;
- A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 28 e 29 de abril.
Cenário internacional
Os Estados Unidos atacaram o Irã no fim de fevereiro, o que desencadeou uma crise com impacto direto no mercado global de energia. Em resposta, o Irã passou a restringir o tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Com a redução drástica na circulação de navios e ataques a embarcações na região, o fluxo de petróleo foi comprometido, elevando a percepção de risco no mercado internacional.
O resultado foi uma disparada nos preços do barril, impulsionada pelo t
emor de interrupções prolongadas no abastecimento global. O Estreito de Ormuz é considerado o principal ponto de estrangulamento do petróleo no mundo, sem rotas alternativas viáveis para escoamento em larga escala.
A crise também ampliou a instabilidade geopolítica na região, atingi
ndo não apenas o Irã, mas outros grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Catar, o que aumenta o risco de um choque mais amplo no mercado de energia.
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