‘Pedido de socorro’ de Cabral a Bacellar era referente ao adiamento do julgamento de improbidade, no qual o ex-governador perdeu R$ 64,2 milhões em bens

No final de fevereiro, a Polícia Federal revelou que o ex-governador Sérgio Cabral havia pedido ao deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), então presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que interviesse para adiar um processo seu na Justiça. As mensagens, trocadas em maio de 2025, foram encontradas nos celulares de Bacellar, que foi indiciado pela PF. Mas só agora o pedido de “socorro” foi revelado: trata-se da ação de improbidade administrativa que teve como base as investigações da Operação Lava Jato — e na qual Cabral e o empresário Eike Batista foram condenados a devolver R$ 64,2 milhões cada um aos cofres do Rio.

As mensagens, trocadas em maio de 2025 — quando o recurso do processo ia para a 2ª instância — foram encontradas nos celulares de Bacellar. Segundo a Polícia Federal (PF), o ex-governador procurou o deputado para tirar a ação de pauta.

‘Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara’

De acordo com a PF, na conversa do dia 22 de maio, Cabral lembra Bacellar sobre o julgamento na pauta da 6ª Câmara de Direito Público: “Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara. Desculpa te perturbar com isso. Mas será terça. Só pedir para retirar de pauta.”

Bacellar responde: “Te falo”. Cinco dias depois, o ex-governador comemora: “Irmão! Saiu de pauta o meu processo. […] Você é um querido!!!! Te amo, amigo!!!”.

A ação citada nas mensagens foi adiada, mas em 7 de outubro do ano passado, 6 meses depois, a ação de improbidade foi julgada, e a 6ª Câmara de Direito Público manteve a condenação do ex-governador e dos outros réus.

No início deste mês, algumas defesas recorreram e a 6ª Câmara de Direito Público negou os embargos de declaração.

Em resposta, à época da divulgação da troca de mensangens, Cabral informou que, na verdade, perdeu o processo na 6ª Câmara citada pela PF. O político afirmou ainda que irá recorrer da condenação por improbidade administrativa.

Com informações do G1 e GloboNews.



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