O último relatório da Polícia Federal sobre a Operação Unha e Carne — a mesma que prendeu o ex-deputado Rodrigo Bacellar — concluiu que a Assembleia Legislativa (Alerj) exerceu papel central na estrutura de poder do estado do Rio, com influência direta sobre decisões que competem ao governador.
De acordo com o documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), há evidências de que Bacellar, ex-presidente da Casa, interferiu diretamente na escolha de cargos do “primeiro escalão” do Poder Executivo durante a gestão de Cláudio Castro (PL).
As novas informações da investigação incluem dados obtidos no computador de Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar, que foi preso pela PF no início de maio.
Bacellar influenciou nomeação de secretários, segundo PF
O relatório aponta que o ex-presidente da Alerj tinha capacidade de influenciar a nomeação de titulares de pastas cruciais, como as secretarias de Fazenda, Educação, Assistência Social, Polícia Militar e Polícia Civil. O documento não detalha nomes de secretários envolvidos.
“Sob a administração de Rodrigo Bacellar, a Alerj potencializou sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado. No Rio de Janeiro, o parlamento é, de fato, a estrutura central do poder”, afirma o documento da PF.
Em uma planilha no computador, os agentes identificaram, ainda, uma lista com nomes de outros deputados e cargos ou órgãos do Executivo “vinculados” a eles, além de pedidos por novos espaços no governo do estado. Detran, Faetec, Fundação Leão XIII e Ipeme estão entre os órgãos citados.
A manifestação da PF integra a representação da Operação Unha e Carne, que apura esquemas de corrupção e o loteamento político de órgãos públicos no Rio. A investigação ganhou destaque na última semana após a prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Com informações do portal “G1”.
