O deputado federal Otoni de Paula (PSD) saiu em defesa de seu filho, que é secretário de Cidadania da Prefeitura do Rio, após a repercussão das denúncias envolvendo um contrato de R$ 6 milhões firmado pela pasta com o Instituto de Proteção das Garantias Individuais e Assistência Social (IPGIAS).
O caso ganhou repercussão após reportagens do portal Metrópoles afirmarem que a ONG era alvo de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou suspeitas de superfaturamento e falta de execução de programas sociais financiados com emendas parlamentares.
Após a divulgação, a Controladoria-Geral do Município (CGM-Rio) recomendou o cancelamento do contrato da pasta de Otoni de Paula Filho.
Em vídeo publicado nas redes sociais na última terça-feira (19), Otoni afirmou que há uma tentativa de desgastar publicamente sua família e acusou adversários políticos ligados ao ex-governador Cláudio Castro (PL) de orquestrarem o “ataque”.
“Estão tentando calar a minha voz, mas não vão conseguir”, afirmou.
Otoni diz que filho não seria ‘envolvido em esquema’
Durante o vídeo, o deputado negou irregularidades na contratação feita pela secretaria comandada pelo filho e afirmou que a equipe buscou verificar previamente a situação da ONG junto aos órgãos de controle.
“Vocês acham que eu ia permitir que a secretaria de Cidadania e Família, aliás eu não, o meu filho — que tem o mesmo princípio, o mesmo caráter do pai — ia permitir que a pasta contratasse uma organização social que estivesse envolvida em esquema?”, questionou.
Otoni também disse que a secretaria exigiu certidões antes da assinatura do contrato.
“Nossa primeira exigência foi saber se a ONG estava limpa. Foi-nos apresentado a certidão negativa da CGU e agora mostrei de novo do Tribunal de Contas da União”, afirmou.
Segundo ele, o fato de a entidade já ter sido investigada não comprovaria irregularidades.
“Está limpo. Que um dia ela foi investigada, ela e milhares de outras organizações sociais”, disse.

Controladoria do Município apontou falhas e pediu anulação do contrato
A Prefeitura do Rio informou posteriormente que o contrato seria anulado por descumprimento de exigências previstas no Decreto Municipal nº 53.521/2023, que regulamenta contratações por patrocínio na administração municipal.
De acordo com a CGM-Rio, a secretaria Especial de Cidadania deixou de realizar análise prévia de integridade da instituição contratada, etapa considerada obrigatória pelo decreto.
O órgão também pediu abertura de procedimento para apurar responsabilidades de agentes públicos envolvidos no processo e recomendou a devolução dos R$ 4 milhões já pagos à ONG.
O contrato firmado pela Prefeitura do Rio previa a realização da “Feira da Cidadania e Família nas Favelas”, evento itinerante voltado à oferta de serviços públicos, lazer e atividades culturais em comunidades.
Mesmo após o cancelamento, Otoni de Paula criticou a decisão da prefeitura e afirmou que o processo será retomado:
“Eu só lamento que a secretaria de Integridade da Prefeitura do Rio de Janeiro, baseada em matéria de jornal, resolveu cancelar o contrato. Não tem problema, nós vamos fazer todos os trâmites novamente”.
Na sequência, voltou a atacar adversários políticos.
“Só poderia tomar mais cuidado e perceber se não está caindo em um engodo fabricado pelos inimigos e adversários políticos de vocês, que é a ‘quadrilha’ do Cláudio Castro”, disse.
ONG teria recebido R$ 43,8 milhões em emendas parlamentares
Segundo a apuração do Metrópoles, o IPGIAS recebeu R$ 43,8 milhões em emendas parlamentares entre 2025 e 2026. Os recursos foram destinados por parlamentares de diferentes partidos, incluindo PL, PP, Republicanos, PSDB, PDT, PT e PSD.
Entre os maiores repasses citados estão os do deputado Sóstenes Cavalcante (PL) e do ex-senador Romário (PL). Otoni de Paula não teria enviado nenhuma das emendas.
