Ao final da sessão plenária desta quinta-feira (28), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), duas deputadas de campos políticos distintos — Renata Souza (PSOL) e Tia Ju (Republicanos) — compartilharam um momento em plenário marcado por desabafos e lembranças pessoais em torno da pauta trabalhista e do fim da escala 6×1, aprovado nesta quarta (27) pela Câmara Federal.
Renata Souza relembra sua rotina trabalhando em uma academia
A psolista destacou a mudança como uma conquista da classe trabalhadora e criticou o modelo anterior de seis dias de trabalho para um de descanso.
“Eu não poderia deixar de passar nessa sessão de hoje uma vitória importante da classe trabalhadora. Conseguimos o fim da escala seis por um, essa escala que escraviza a nossa população, de seis dias trabalhados a apenas um dia de folga”, afirmou.
Renata também relembrou sua experiência pessoal trabalhando em uma academia:
“Acordava cinco horas da manhã (…) para abrir uma academia e eu ficava trabalhando oito horas, nove horas seguidas num dia, e ainda tinha que trabalhar no sábado”.
A parlamentar associou a conquista ao movimento “Vida Além do Trabalho” (VAT), do vereador do Rio Rick Azevedo (PSOL) e suas articulações no Congresso Nacional.
Tia Ju compartilha experiência trabalhando em escala 6×1 e rotina exaustiva
A deputada Tia Ju, que também é uma das poucas parlamentares negras da Alerj, colaborou com o debate trazendo sua própria experiência de vida e trabalho: “eu trabalhei parte da minha vida toda em supermercado, lanchonete, e era um dia só no domingo”.
A republicana descreveu sua rotina pesada como alguém que trabalhava no comércio sob a escala 6×1 e lembrou até mesmo dos antigos balanços de estoque feitos manualmente aos domingos.
“No supermercado ainda, uma vez por mês, perdámos um domingo para fazer o levantamento de estoque. Então, era exaustivo demais”, afirmou.
A deputada também falou sobre o impacto que sofreu na sua vida pessoal, nos estudos e dentro de casa.
“Eu perdi parte da minha vida atrás de um balcão, atrás de um caixa, trabalhando, e sei como é duro. Sem contar as horas perdidas nos ônibus, estudando para prova e para concurso dentro de transporte coletivo, porque o dia de descanso não existia”, relatou.
Ao concluir, a deputada defendeu que temas ligados aos trabalhadores sejam tratados permanentemente pelo Congresso Nacional.
“Paute sempre, porque essa é uma questão humanitária”.
