Pela primeira vez em quase 20 anos, a esquerda da Alerj votou com o governo na análise do orçamento estadual

Não é todo dia que uma votação na Assembleia Legislativa (Alerj) foge do roteiro esperado.

E nesta quarta-feira (24), enquanto os deputados aprovavam o planejamento do orçamento estadual para 2027, algo quebrou o padrão: pela primeira vez em quase 20 anos de atuação contínua na oposição da Casa, o PSOL votou favoravelmente à proposta enviada pelo governo.

Desde que Marcelo Freixo asumiu um mandato na Alerj pelo partido, em 2007, a legenda nunca havia se posicionado a favor de uma proposta orçamentária do Executivo estadual.

Mas o contexto atual do Rio de Janeiro ajuda a justificar o movimento.

Nos últimos meses, a gestão do governador em exercício Ricardo Couto promoveu uma reestruturação profunda na máquina pública, com mais de 4 mil de exonerações de cargos comissionados herdados da gestão anterior de Cláudio Castro (PL). A mudança atingiu diferentes níveis da administração, incluindo as secretarias e autarquias consideradas mais sensíveis — como o Detran-RJ e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Porém, a líder da bancada do PSOL na Alerj, Renata Souza, já avisou que a decisão não representa um alinhamento automático com o governo. Segundo ela, trata-se apenas de uma leitura do momento político e fiscal do estado.

“Pela primeira vez, estamos tendo uma responsabilidade recíproca com o Poder Executivo”, disse.

No discurso após a aprovação, Renata explicou que a legenda reconhece que “o governador em exercício, Ricardo Couto, tem feito um esforço importante diante da situação de abismo econômico, financeiro e fiscal do Estado. Compreendemos esse esforço a partir da LDO apresentada e, por isso, votamos favoravelmente”, declarou.



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