mesmo com orçamento de R$ 718 milhões, DER-RJ enfrenta falta de verbas para obras

Uma lista com as dez principais obras e projetos de conservação pendentes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) no estado do Rio foi entregue pela presidência do órgão ao governador em exercício Ricardo Couto na última quarta-feira (15).

O objetivo é pedir crédito suplementar para as intervenções, já que, mesmo com o atual orçamento do órgão estimado em R$ 718 milhões, já não há dinheiro em caixa no DER-RJ para as obras.

O valor total das dez obras não foi divulgado, mas a estimativa é de que pelo menos seis delas, quando somadas, representem uma despesa de R$ 155,7 milhões. Só a obra do Viaduto de Alcântara, em São Gonçalo, — que apresenta “elevado grau de risco”, segundo relatório do órgão — é avaliada em R$ 38 milhões.

Nova presidente do DER-RJ criou corregedoria do órgão e exonerou 79 pessoas

As obras estão entre os desafios no radar da nova gestão do DER-RJ, que mudou de comando recentemente. No dia 8 de junho, a coronel Gabryela Reis Dantas foi nomeada para o cargo de presidente do Departamento. Ela é ex-chefe de gabinete do ex-secretário de Polícia Militar Marcelo de Menezes e atualmente comandava o 23º BPM (Leblon).

Desde que entrou, a coronel exonerou 79 funcionários em cargos comissionados, considerados funcionários “fantasmas”. Além disso, já sob a gestão dela, o departamento criou uma corregedoria para analisar todos os contratos firmados. O setor de fiscalização interna estava previsto no regulamento da fundação, mas não existia na gestão anterior.

Órgão apura contratos milionários suspeitos

O ex-presidente do DER-RJ é Pedro Henrique de Oliveira Ramos, que ocupou o cargo por pouco mais de três anos. Durante sua gestão, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) chegou a notificar o órgão por suspeitas de sobrepreço.

O resultado foi a suspensão de um contrato de R$ 250 milhões que previa a instalação de 390 radares em rodovias como a RJ-104, a Niterói-Manilha; e a RJ-106, que liga São Gonçalo e Macaé.

Um contrato de segurança armada de R$ 14 milhões por ano também está sob investigação. Os vigilantes prestam serviços na sede da fundação, na Avenida Presidente Vargas, e nas 20 residências oficiais do DER-RJ. Porém, a auditoria revela que nenhum dos agentes trabalha armado. O armamento encarece o serviço, mas na sede sequer há um cofre para armazenar os equipamentos.

Outra irregularidade identificada pelo TCE-RJ foi na renovação do contrato de concessão da rodovia RJ-116 (Rodovia Presidente João Goulart). O prejuízo ao DER teria sido estimado em cerca de R$ 2 bilhões.

Fontes ouvidas pela jornalista Vera Araújo, de “O Globo”, afirmam que a indicação de Pedro Henrique teria sido feita pelo então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne.

Com informações de “O Globo“.



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