Candidato à Alerj, Elton Cristo declara patrimônio de R$ 3 milhões — quase oito vezes maior do que em 2018

Nesta sexta-feira, dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completa 20 anos de existência. Embora seja um importante marco no combate pelo fim da violência contra a mulher, o Rio de Janeiro mostra que as estatísticas vão em sentido oposto a essa luta. O estado fluminense registrou alta em quatro dos cincos índices desse tipo de crime.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), entre 2024 a 2025, houve aumento nos seguites casos:

  • Violência moral: de 37.571 para 38.819 (crescimento de 3,2%)
  • Violência patrimônial: de 8.334 para 8.492 (alta de 1,9%)
  • Violência psicológica: de 47.473 para 48.999 (aumento de 3,21%)
  • Violência sexual: de 8.339 para 8.681 (crescimento de 4,1%, a maior alta percentual dos índices).

A única estatística que apresentou queda foi a de violência física, que passou de 43.743 em 2024 para 43.307 registros no ano seguinte, uma baixa de 1%. Todas as informações constam na página ISP Mulher.

Símbolo dessa batalha, a atriz e jornalista Cristiano Machado vivenciou essa realidade em 2018, quando se tornou conhecida do público ao filmar as agressões que sofria do ex-marido, o empresário e ex-diplomata Sérgio Schiller Thompson-Flores. Em setembro do ano seguinte, a Justiça do Rio o condenou a três anos de prisão em regime semiaberto.

Em conversa com o TEMPO REAL RJ, Cristiane analisa o que ainda falta às mulheres na hora de denunciar os companheiros por violência doméstica.

“Creio que duas coisas ainda impedem as mulheres de seguirem adiante nesta batalha. A vergonha e o medo. Porque é necessário ter mais do que coragem para seguir adiante no enfrentamento à violência doméstica. Pois muitas têm medo do agressor sob dois pontos de vista. O primeiro é o temor de continuar viva e estar ao lado do agressor. E o outro é o que vai acontecer com ela depois que a denúncia for feita.  Afinal, há o receio que alguma brecha legal permita que o agressor, de alguma forma, fique impune”, comenta.

Passados oitos anos após as agrssões se tornarem públicas nacionalmente, Cristiane cita qual o principal item que acredita ser necessário que as autoridades tenham mais rigor.

“A Lei Maria da Penha é muito boa. Eu fui salva graças a ela. Mas, infelizmente, ainda é muito falha na fiscalização. Isso é uma coisa que deixa as mulheres vulneráveis. Porque apesar de alguma vítima poder acionar o botão do pânico, não há uma equipe policial que atue para fiscalizar se o agressor, de fato, está próximo da vítima e, consequentemente, sofra a punição por ter violado alguma medida protetiva, por exemplo. Além disso, também penso que deveria ter mais preparo com as pessoas que trabalhem na linha de frente desse combate. Ou seja, juízes, assistentes sociais e psicólogos que atuem com as mulheres que são vítimas de agressões”, argumentou.

A atriz foi a primeira mulher a receber o benefício do “botão do pânico”, ferramenta criada em 2019 pela Polícia Militar do Rio. O objeto é conectado a uma tornozeleira eletrônica usada pelo agressor. Em caso de aproximação, a central de monitoramento é acionada e entra em contato com a vítima e o agressor por telefone.

Cristiane Machado
A atriz Cristiane Machado foi a primeira mulher no estado do Rio a receber o “botão do pânico” — Foto: Divulgação.

Professora de boxe criou método exclusivo para mulheres

A professora de boxe Ana Lúcia Moreira percebeu que algumas mulheres que frequentavam a academia onde ela dá aulas, a Boxe Fit, na Taquara, buscavam, além da melhora na autoestima e cuidados com o corpo, superar o medo da violência. Foi quando teve a ideia de criar turmas exclusivamente femininas como forma de encorajá-las.

“A ideia de dar aulas especificas para mulheres se defenderem de casos de violência surgiu do encontro entre a prática do esporte e a observação de uma demanda real do cotidiano feminino. O principal gatilho que muitas sentem é a constatação do medo. Por isso, os treinamentos vão além dos socos. O foco principal é a consciência situacional e a capacidade de reação rápida antes mesmo que o contato físico aconteça”, comenta.

Ana Lúcia Moreira
A professora de boxe Ana Lúcia Moreira — Foto: Acervo pessoal.

Anallu, como é conhecida, explica que ensina os golpes sem o uso de sparring, que é a presença de uma pessoa treinada para receber socos. Para isso, usa sacos de pancada, dos pequenos aos grandes, e bonecos de silicone em tamanho adulto para que elas treinem todos os movimentos. Ela relembra o caso de uma mulher conseguiu se livrar das agressões do ex-marido graças às aulas.

“Eu tive uma aluna que era bem tímida nas aulas. Parecia ter vergonha ao fazer os movimentos de socos. Chegava até a dar risada nos movimentos de tão sem graça que ficava. Até que houve um dia em que ela acordou com um soco do esposo por causa de ciúmes. Depois ele a pegou pelos cabelos e a levou arrastada ao banheiro. Ela me contou que só conseguia pensar nos golpes dos exercícios. Então se defendeu, conseguiu se livrar dele e fugiu”, recorda.

Boxe Fit
Ana Lúcia (ao centro, próximo da parede) orientando as alunas durante uma aula na academia Boxe Fit — Foto: Divulgação.

Ana Lúcia fala de outras dicas que passa para as mulheres, além dos movimentos e socos.

“Ao treinar minhas alunas para identificarem e lidarem com a proximidade de um potencial agressor. Também trabalhamos as orientações técnicas e comportamentais. Então a gente orienta sobre espaço, tempo de reação e uso de força relativa, além de trabalhar o limite corporal e a imposição de voz”, finaliza.



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