Câmara do Rio realiza sessão, mas adia análise de dez projetos seguidos

Depois de passar por uma intervenção do governo do estado na gestão do governador interino Ricardo Couto, que iniciou um processo de reestruturação administrativa, o Instituto Rio Metrópole (IRM) anunciou que se prepara a retomada de sua principal função: coordenar políticas públicas voltadas para os desafios compartilhados pelos municípios da Região Metropolitana do Rio.

Criado para promover a integração entre o estado e as prefeituras, o instituto entra em uma nova fase com a missão de recuperar sua capacidade de planejamento e articulação.

Retomada da ‘finalidade central’

Segundo o Executivo estadual, a proposta é fortalecer a governança metropolitana e construir soluções conjuntas para problemas que ultrapassam os limites territoriais de cada cidade.

A nova agenda do IRM terá três prioridades: mobilidade, drenagem e ordenamento do território.

Na área de transportes, o Rio Metrópole pretende avançar na integração dos diferentes modais que atendem a Região Metropolitana. A ideia é ampliar a articulação entre ônibus, trens, metrô e barcas, incluindo estudos para a adoção de um sistema tarifário mais integrado.

O segundo eixo da nova agenda será a drenagem, principalmente em áreas que envolvem mais de um município e exigem planejamento integrado. Para discutir soluções, o IRM pretende reunir Estado, prefeituras, comitês de bacia e instituições de pesquisa, como a Coppe/UFRJ.

Segundo o IRM, a drenagem se conecta ao terceiro eixo da agenda: o ordenamento territorial. A proposta é ampliar a integração entre Estado e municípios para evitar ocupações inadequadas e proteger áreas estratégicas para obras de infraestrutura e sistemas de drenagem.

As discussões já envolvem a Casa Civil, a Secretaria Estadual de Transportes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A expectativa da autarquia é que, até o fim do ano, o governo estadual conclua a análise de um protocolo de intenções que poderá viabilizar estudos técnicos para a implantação dos projetos.

Histórico do Rio Metrópole

Nos últimos anos, o Instituto Rio Metrópole ganhou espaço no governo estadual com uma série de contratos e licitações milionárias e com pouca transparência relacionadas a áreas como pavimentação, estudos, energia e infraestrutura.

Em 2025, ainda na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), os gastos aumentaram. A farra dos gastos acendeu alerta no governo Ricardo Couto, que determinou auditorias em contratos e contas do instituto.

A crise culminou, em julho, na Operação Ouroboros, do Ministério Público do Rio, que investigou um esquema de corrupção estimado em R$ 86 milhões. O então presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, o Didê, foi preso.

Na sequência, Couto determinou que o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Roberto Lisandro Leão, assumisse o expediente da autarquia.



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