Vaguinho Neguinho (PRD), que disputava uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2026, teve o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). A Corte entendeu que há “indícios robustos, precisos e concordantes” que caracterizam um vínculo “direto e funcional” de Vaguinho com organizações criminosas.
Segundo o voto da relatora, a desembargadora Tathiana Costa, foram considerados elementos extraídos do celular do candidato e outros dados reunidos durante investigação da Polícia Federal.
Entre os pontos citados estão trocas diretas de mensagens com lideranças criminosas, encontro pessoal, envio de geolocalização a partir de territórios dominados, empréstimo financeiro a uma liderança de facção e intermediação de acesso político-eleitoral a comunidades controladas pelo crime.
O voto mencionou especificamente relações envolvendo Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e milícias armadas.
Vaguinho Neguinho foi alvo de operação da PF na Baixada
O julgamento ocorreu semanas depois de Vaguinho Neguinho ter sido alvo da Operação Fora de Ordem, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Rio.
A investigação apura a atuação de um grupo criminoso liderado pelo miliciano Juninho Varão, com suspeitas relacionadas a extorsão, lavagem de dinheiro e exploração do fornecimento de gás e internet na Baixada Fluminense.
Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços ligados ao vereador em Nova Iguaçu.
Após a operação, o Ministério Público Eleitoral mudou o posicionamento que havia apresentado anteriormente e passou a pedir o indeferimento da candidatura.
O MPE apontou, entre outros elementos, conversas atribuídas ao candidato com integrantes do Comando Vermelho, do Terceiro Comando Puro e de milícias, além de movimentações financeiras consideradas atípicas e de informações relacionadas à atuação de empresas de internet.
Com a decisão do TRE-RJ, Vaguinho Neguinho não poderá concorrer nas eleições de outubro.
