Samba virou treta: após alfinetada de Paes e Cavaliere, Douglas Ruas diz que gosta, sim, de carnaval e critica adversário

Douglas Ruas e Eduardo Paes no carnaval

Ainda faltam mais de quatro meses para o início da disputa entre as escolas de samba no Rio, mas, fora da Sapucaí, o carnaval já virou motivo de treta em outra “competição”. As campanhas de Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD), rivais nas eleições para governador do Rio, trocaram críticas sobre o assunto ao longo da semana e o assunto voltou a render neste sábado (19).

Em evento de campanha neste sábado, Ruas se defendeu das críticas recebidas ao longo da semana por ter dito, em entrevista à TV Globo, que o último desfile na Sapucaí foi o “maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família”. No discurso, ele disse que gosta, sim, do carnaval e classificou a festa como “maior manifestação cultural do estado”.

“Eu disse que vou acabar com os recursos para essa farra dele [Paes], porque o recurso tem que ir direto para a escola de samba, para os fazedores de cultura, para os nossos artistas anônimos. E ele tentou, através de uma narrativa, dizer que a gente não gosta do carnaval. Nada disso. A gente gosta e respeita. A gente não quer que ele use o dinheiro público para fazer farra com os amigos dele de Brasília”, disse Ruas.

 

Relembre a treta

A treta começou na terça (15). Na entrevista ao programa “RJ1”, o candidato do PL disse que pretende acabar com o camarote do governo do estado na Sapucaí, caso seja eleito, e disse que os desfiles desse ano foram um “ataque à família”. Ele também criticou a participação do rival Paes nos desfiles.

“Nós vimos esse ano, no carnaval de 2026, na Sapucaí, o meu adversário, o Eduardo Paes, num camarote visivelmente embriagado, regado a uísque, cerveja, comida, tudo pago com dinheiro do povo e ainda utilizou daquele momento para zombar das pessoas com deficiência visual. Estavam ele e o Lula assistindo, sambando e aplaudindo o maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família. Tudo isso com o dinheiro público. Então nós vamos acabar com essa farra e o dinheiro do contribuinte vai ser revertido para serviços de qualidade na saúde e na educação”, disse o presidente da Alerj.

‘Se diz evangélico na eleição, mas vai rebolar em fevereiro’, rebateu Paes

A fala não foi muito bem recebida no mundo do samba e o adversário de Ruas nas urnas aproveitou para fazer críticas ao candidato. Paes relembrou a participação do presidente da Alerj em desfiles da Porto da Pedra, escola de samba de São Gonçalo que contou com investimentos da prefeitura local nos últimos desfiles. A Prefeitura de São Gonçalo é comandada, desde 2021, pelo pai de Ruas, capitão Nelson (PL).

“O sujeito se diz evangélico na eleição, mas vai rebolar em fevereiro na Marquês de Sapucaí. Agredir a principal manifestação cultural do Brasil, muito enraizada no Rio de Janeiro e que tem um impacto econômico importantíssimo para o Rio de Janeiro. As pessoas que vão ao carnaval não são desrespeitosas, que não preservam suas famílias. Ele é feito de muita gente do bem. Foi uma hipocrisia, ele tentando vender algo que ele não é”, rebateu Paes.

Cavaliere também entrou na treta

Ex-vice de Paes e atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD) aproveitou para entrar na história. Neste sábado, enquanto visitava as obras da futura Fábrica do Samba Rosa Magalhães, em São Cristóvão, Cavaliere gravou um vídeo com alfinetadas para Ruas.

“A gente mais uma vez viu, essa semana, os meses que a gente já conhece: de dia, atacam o Carnaval e, à noite, gostam mesmo de um camarote na Sapucaí. Agora, sabe de uma coisa? Tá na hora da gente acabar com essa conversa. Tá na hora da gente ter claro e riscar o chão quem defende e quem não defende o povo trabalhador que faz a maior manifestação cultural do nosso país”, disse o prefeito do Rio.

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