Rio têm pelo menos 159 urnas substituídas no estado e homem de 62 anos morre após passar mal na Barra da Tijuca

A eleição deste domingo (04) vai dar a largada em outra disputa, esta restrita aos corredores do velho ex-Banerjão. A sucessão de Douglas Ruas (PL) na presidência da Assembleia Legislativa já tem três nomes na mesa — e tudo vai depender de quantos votos cada um, e cada um de seus padrinhos, vão ter nas urnas eletrônicas: André Ceciliano (PT), Guilherme Delaroli (PL) e Márcio Canella (União Brasil).

Todos, claro, precisam primeiro garantir uma cadeirinha para chamar de sua em plenário. Mas já na segunda-feira começa outro campeonato.

Um petista numa casa com os dois pés na direita

Ceciliano é o nome do grupo de Eduardo Paes (PSD). Já presidiu a Alerj, quer voltar ao posto e tem uma vantagem nada desprezível numa eleição em que cada voto conta: é muito considerado pelos colegas e conhecido pelo temperamento conciliador.

Os números de suas duas eleições para o comando da casa ajudam a explicar sua força interna. Em 2019, petista numa Assembleia nada petista, foi eleito presidente com 49 votos. Dois anos depois, conseguiu 64 dos 69 votos registrados.

O vice que já tomou o gostinho

Do lado de Douglas Ruas, o nome é Guilherme Delaroli.

Atual primeiro vice-presidente da Alerj, Delaroli já teve a oportunidade de experimentar a cadeira mais alta da mesa diretora. Assumiu interinamente o comando da casa depois da prisão e do afastamento de Rodrigo Bacellar e ficou no posto até a eleição de Ruas.

Irmão do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), Guilherme tem ainda uma vantagem importante: o tamanho do PL dentro da Assembleia.

O partido já elegeu a maior bancada da Alerj em 2022, com 17 deputados, contra seis do PSD. E chega ao fim desta legislatura ainda maior: depois da janela partidária, passou a ter 23 das 70 cadeiras.

O PSD, partido de Paes, tem nove.

A perspectiva é de que a diferença continue grande na próxima legislatura. Os líderes de todos os partidos concordam que o PL deve eleger a maior bancada. É apenas uma projeção — a conta de verdade será feita nas urnas, neste domingo. Mas ajuda a entender por que Delaroli estará no jogo mesmo que o resultado para o governo do estado não seja o mais favorável ao PL.

Valem seu peso em votos

Cada voto digitado na urna vai decidir não só a escolha de presidente, governador, senador e deputados — mas também uma eleição que só acontecerá no ano que vem.

Se Paes vencer no Rio e Lula for reeleito presidente, Ceciliano sai na frente. Terá um aliado no Palácio Guanabara, um companheiro de partido no Planalto e o próprio trânsito na Alerj. E, diante de uma bancada do PL possivelmente muito maior do que a do PSD-PT, sua capacidade de conversar com diferentes grupos deixa de ser apenas uma qualidade: vira necessidade.

Se Douglas e Flávio Bolsonaro vencerem, o cenário favorece Delaroli. O PL terá conquistado os dois principais governos em disputa e poderá chegar à nova Alerj também com a maior bancada.

As combinações cruzadas deixam a brincadeira mais interessante

Paes governador e Flávio presidente? O PL perde o Guanabara, mas ganha o Planalto e pode chegar à Assembleia com a bancada maiori do que o partido do governador.

É cenário para tentar atropelar a articulação de Ceciliano.

Douglas governador e Lula presidente? Nesse caso, o PL terá o Guanabara, provavelmente uma bancada  maior do que a do PSD e ainda mais motivos para não abrir mão do comando da Alerj.

E ainda há Márcio Canella

Mandachuva do União Brasil no Rio e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella já ensaiava uma candidatura à presidência da Assembleia na atual legislatura. Agora, volta à disputa por uma cadeira com uma credencial que os adversários conhecem bem: voto.

Em 2022, foi o deputado estadual mais votado do Rio, com 181.274 votos — à frente, inclusive, de Douglas Ruas, que teve 175.977.

Até os poderosos de outros partidos apostam que Canella estará novamente entre os mais votados no domingo — se não repetir o título de campeão.

Se isso acontecer, estará no páreo.

A numerologia na eleição da Alerj

Curiosamente, a conta que Ceciliano, Delaroli e Canella precisarão fazer na noite deste domingo não será apenas de quantos votos cada um recebeu.

Será de quantos amigos cada um elegeu.



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