Ex-funcionários da Alerj e do Detran estão entre os presos na operação sobre venda de armas para Peixão, líder do TCP

Entre os presos e investigados na Operação Magen, deflagrada nesta quarta-feira (07) pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, estão ex-PMs e pessoas que mantiveram vínculos recentes com órgãos públicos do estado do Rio. Dois dos presos trabalhavam no Detran-RJ até poucos meses atrás. Outro alvo teve passagem pela Alerj, onde a mulher também ocupou cargo comissionado.

A investigação aponta que o grupo negociava armas com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), incluindo o traficante Peixão, além de utilizar empresas para movimentar dinheiro e, segundo os investigadores, obter ou repassar informações sigilosas.

Material apreendido durante a operação – Foto: Divulgação/Polícia Federal
Material apreendido durante a operação – Foto: Divulgação/Polícia Federal

Da presidência do Detran-RJ para a mira da PF

Vitor Hugo Marinho Garcia, conhecido como “Batata”, é um dos principais nomes da investigação. Ele foi preso em um hotel de luxo na Barra da Tijuca. No quarto, os policiais encontraram um fuzil.

Garcia havia sido nomeado em outubro de 2025 para um cargo comissionado no Detran-RJ. Ele era Ajudante I, símbolo DAI-1, com lotação na Presidência do órgão. Em novembro daquele ano, recebeu R$ 17,1 mil líquidos. Em abril de 2026, foram R$ 12,4 mil.

Ele foi exonerado em 15 de maio de 2026.

Garcia é apontado como uma das lideranças do grupo criminoso. Segundo a investigação, ele estaria entre os principais fornecedores de armas para a organização ligada a Peixão.

Ex-Alerj que também passou pelo Detran foi preso na operação da PF

Outro preso é Marcel Rodrigues Fernandes, que foi encontrado em um imóvel em Nova Iguaçu com um fuzil, carregadores e acessórios.

Antes de chegar ao Detran, Marcel passou pela Alerj. Ele foi Assessor Parlamentar III, com salário registrado em cerca de R$ 18,8 mil, no gabinete de Felipinho Ravis (PP). Com a saída do deputado, permaneceu no gabinete de Chiquinho da Mangueira (Avante), que assumiu a vaga.

Marcel deixou a Assembleia em outubro de 2025 e, na sequência, foi nomeado para um cargo comissionado no Detran-RJ, como Assistente III, símbolo DAI-5. Em abril deste ano, recebeu R$ 10,7 mil líquidos. Também deixou o órgão em maio.

Na parte financeira da investigação, Marcel aparece como um dos alvos que movimentaram valores milionários. Segundo a apuração, ele movimentou cerca de R$ 33,2 milhões entre 2019 e 2023, por meio de operações consideradas incompatíveis com sua renda.

Ex-PM já havia sido alvo de investigação por agiotagem e extorsão

Segundo o MPRJ, Eduardo Thales Lopes Pires e a mulher, Caroline Souza Vilela Barcelos, teriam usado empresas como a Forte Outlet e a Forte Porcelanato BR para movimentar e ocultar recursos.

A análise financeira citada na investigação aponta que Eduardo movimentou aproximadamente R$ 33,4 milhões entre 2019 e 2023.

E ele também tem uma passagem pelo poder público. Ex-policial militar, ele ocupava o cargo comissionado de Assistente III, símbolo CCDAL-3, na Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Alerj quando foi exonerado, em agosto de 2024.

O nome de Eduardo, porém, já havia aparecido em uma investigação policial antes da Magen. Em 2020, ele e o “Batata” foram presos em uma apuração sobre agiotagem e extorsão. Na ocasião, os dois eram apontados como integrantes da liderança do grupo investigado, que utilizaria armas e ameaças para cobrar vítimas.

Caroline também teve vínculo com a Assembleia. Ela ocupou cargos comissionados no Departamento de Pessoal e Legislação. Em julho de 2024, deixou a função de Assistente I e foi nomeada Assistente VII.

Ela não foi presa na Operação Magen, mas é investigada, segundo o MPRJ, por participação nas operações financeiras atribuídas ao casal.



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